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terça-feira, 13 de setembro de 2016

MESTRE EPIFÂNIO MARTINS E OS TAMBORES DE SETEMBRO



Mais conhecido como Mestre Epifânio, ANTENOR EPIFÂNIO MARTINS foi educador da era territorial do Amapá. Nasceu em Capanema (Pará) a 7 de abril de 1925. Faleceu em Macapá em 23 de junho de 1999, de problemas cardiacos. Veio a Macapá a partir de 1950, a convite do diretor do Esporte Clube Macapá, Climério Vilhena Andrade. “Logo que cheguei, comecei minha vida esportiva no Macapá, e como mestre artifice passei a lecionar na antiga Escola Industrial, hoje Escola Integrada, antes Ginásio de Macapá. Para se ter uma idéia de que muita coisa mudou, basta lembrar que não existe mais piscina territorial,. Barraca da santa, campo do América, que ajudei a construir. Não se fala mais da “Furiosa”, a primeira banda de música do Território do Amapá, tampouco de pessoas como o mestre Oscar da múisica, chefe Dário do escotismo, mestre Torquato e Glicério do futebol”, relembrou um dia o mestre Epifânio em uma entrevista concedida ao autor desse trabalho, e publicada no JORNAL DO DIA, de 5 de setembro de 1988.

Mestre Epifânio pode ser considerado um dos baluartes do esporte macapaense, juntamente com Pauxy Nunes, Glicério, Emanuel, Menahem Alcolumbre e outros que militaram no setor. “Logo que cheguei, passei a defender as cores do Esporte Clube Macapá e do América Futebol Clube como atleta, tanto do futebol como também do basquete, nos idos de 1950 a 1961. Também fui juiz de futebol da Federação Amapaense de Desportos de 1959 a 1967”. Ele também chegou a ser técnico de times tradicionais como o Esporte Clube Macapá e alguns de Serra do Navio. Marcou presença nos jogos ginásio-colegiais de 1974 a 1976, como membro da Comissão de Disciplina.

 “O general Ivanhoé Martins foi um dos incentivadores do esporte local, principalmente nos jogos ginásio-clegiais. Ele chegou a tomar medidas drásticas para acabar com os referidos jgos, porque a rapaziada não sabia brincar. O ex-ginásio coberto do Colégio Amapáense, hoje Ginásio Paulo Conrado, quase foi virado de cabeça para baixo, por causa do angue quente da moçada, que confundia competição com guerra na selva”, lembrou Epifânio em 1988. Naquela ocasião, ele confidenciou seu respeito pelo desportista Glicerio Marques. “Ao professor Glicério Marques, que também foi chefe dos escoteiros e educador dos mais notáveis no Territorio, devemos a evolução do esporte no Amapá: primeiro presidente da FAD (Federação Amapaense de Desportos), Glicério merece muito ser lembrado na historia do futebol, não esquecendo o velho Pauxy, por cujo intermédio João Havelange chegou à presidência da CBF e aos comandos da FIFA...”

Tal qual Mestre Oscar, de todos os estabelecimentos de ensino que passou, Epifânio fixou-se mais no antigo Ginásio de Macapá. “Foi o governador Janary Nunes que criou o GM, e daí saíram os marceneiros, carpinteiros, artesão, mestres de obra, todos profissionalizados da terra. Pode-se até dizer, sem sombra de dúvida, que a maioria das micro e médias empresas do então Territorio do Amapá cmportaram em seu quadro de funcionarios, ex-alunos do GM; quando não, os próprios proprietários”. Como professor mestre Epifânio militou 25 anos no magistério do GM, que nos anos de 1966 a 1969 funcionou como Escola Orientada para o Trabalho. “Com a reforma da lei 4024 para 5692, a clientela do GM foi se diversificando, abrindo campo para o setor feminino, pois antes era uma escola de regime de semi-internato masculino. Desse tempo para cá, surgiu mestre Oscar como grande baluarte na história da música do estabelecimento”.

Para Epifânio, a comunidade macapaense já não andava tão animada como nos anos 70. “Vale a pena lembrar que os primeiros desfiles escolares foram realizados na Fortaleza de São José de Macapá até 1951. A partir daí, eram feitos em frente à residência do governador. De 1962 para cá, passaram a ser realizados na Avenida FAB. O período da competição era tão bom, que a própria comunidade se envolvia, com várias torcidas como as do “colosso cinzento” ou “garapa azeda”, atribuidos ao Colégio Amapáense; “Piramutabas” (IETA), “Bonequinhos de Anil” (Ginasio de Macapá). Os carros alegóricos nos desfiles eram poucos, mas as bicicletas, todas enfeitadas, ornamentavam as ruas de verde-amarelo, dando um multicolorido todo especial”. Mestre Epifânio fez questão, um dia, de me confidenciar que “as coisas agora estão muito mudadas, e isso é  preço que pagamos pela evolução dos tempos. Por isso mesmo, as mudanças são compreensivas, apesar de muitas vezes não serem aceitáveis por quem já viveu muito”.


            Portador de um arquivo de fotos raras e boas lembranças no seu acervo mental,  Epifanio deixa para nós muitas saudades.

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