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domingo, 21 de agosto de 2016

Memória: SACACA


Mais conhecido como Sacaca, RAIMUNDO DOS SANTOS SOUZA foi carnavalesco e estudioso (empírico) das plantas medicinais do Amapá. Nasceu em Macapá em 21 de agosto de 1926, e faleceu em Macapá em 19 de setembro de 1999. Filho de Maximiano Antonio de Souza e Joaquina Emiliana dos Santos. Seu conhecimento, mesmo empírico, sobre plantas medicinais, o tornou famoso até mesmo no exterior. Aos 13 anos apanhava ervas para a empresária Sara Roffe Zagury aliviar as dores que sofria, em virtude de uma erisipela. Foi a própria Sara que apresentou o garoto Sacaca ao cientista francês PAUL LE COINTE, em sua passagem pelo Amapá, dizendo que “era um menino curioso, parecendo um sacaca”, uma espécie de gíria índia que significava “pajé”, “senhor da floresta”.

A partir desse dia ele passou a ser conhecido apenas pelo nome Sacaca, acompanhando o naturalista francês diariamente, escolhendo as plantas, as folhas, as raízes e suas aplicações na medicina. Aos 17 anos passa a trabalhar com outro cientista, Waldemiro Gomes, uma vez que Le Cointe regressou para a França. Trabalha também na Panair do Brasi, no período da Segunda Guerra Mundial, de 1942 a 1945, quando ela foi extinta. Nesse mesmo ano ingressa na Prefeitura de Macapá como fiscal de obras. Depois é colocado à disposição do Campus Avançado da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro em Macapá, dirigido, nos anos 70, pelo engenheiro florestal Nilde Ceciliano Santiago.

Assim, passou seus conhecimentos para os engenheiros florestais sobre a flora e a utilização das árvores e plantas da selva regional. Esse trabalho efetuado por Sacaca no Projeto Rondon foi encaminhado para a referida universidade. Tempos depois, por ocasião da visita do reitor daquela Universidade, de nome Arthur, Sacaca foi procurado pelo mesmo reitor que tinha vontade de conhece-lo. Convidado, participou do 39º Congresso da Sociedade Botânica do Brasil, realizado em Belém (Pará), recebendo certificado de participação.



Sacaca casou-se com Madalena Ramos de Souza, que lhe deu os filhos Maria da Silva, Germano (falecido), Marilene, José Carlos, Lídia Maria, José Antonio, José Aluízio e Armstrong. Aposentou-se pela Prefeitura Municipal de Macapá, onde exerceu diversos cargos e missões nos setores da Educação, Saúde e Serviços Sociais. Foi escolhido “Rei Momo” em 1975, permanecendo nessa função até sua morte, em 1999. Desportista, torcedor do Esporte Clube Macapá, exerceu a função de massagista dos atletas de futebol, voleibol, basquetebol e natação, conquistando dezenas de títulos de campeão. Foi sócio fundador da União dos Negos do Amapá (UNA) e com atuação destacada, proferindo palestras sobre os temas defendidos pela entidade e sobre a flora amazônica, em diversos estados do Brasil.

É autor das obras As Ervas na Medicina Caseira (1989); Receituário de Ervas Medicinais (1990) e Cura pelas Plantas Medicinais na Região Amazônica (1995). Participou de uma reportagem no Globo Rural sobre plantas medicinais, falando sobre o amapazeiro e o uso do leite extraído da planta para cura da tuberculose, com repercussão nacional.

Sacaca foi sempre estimado por toda a população amapaense que o procurava sempre em busca de “garrafadas” ou receitas para cura de suas mazelas. Moreno, grande, gordo, bonachão, sorridente, sempre seguiu pela vida distribuído simpatia, amenizando os males, brincando com as crianças e ganhando admiração e respeito de todos. Em sua homenagem, o Museu de Plantas Medicinais recebeu seu nome. Dentro do museu existe uma estátua de Sacaca, sentado num banco, para lembrança perpétua dos moradores de Macapá.


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