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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

FLIP GUARANÁ, A HISTÓRIA



            O primeiro refrigerante fabricado em Macapá, pelos irmãos Moisés Leão Zagury, Isaac Jaime Zagury e José Zagury. A fórmula foi desenvolvida pelo farmacêutico José Zagury, em 1950. A fábrica foi inaugurada em 6 de junho de 1950 e fechada em 31 de dezembro de 1974. O Flip Guaraná era um refrigerante de sucesso absoluto em Macapá, tanto pelo fato de que não tinha concorrentes locais, como também pelo gosto característico do guaraná. Foi, na época, considerado um investimento audacioso.

            As campanhas publicitárias eram avançadas para a época Uma delas ficou marcada e era repetida com muita frequência sempre que um copo era quebrado. Era um spot com menos de 10 segundos.  Na época não se tinha idéia do que seria uma televisão. O rádio era o senhor absoluto das audiências. E radialista tinha o mesmo status de galã, artista ou coisa parecida. O spot começava com o som de um copo quebrando; em seguida uma voz grava, que perguntava:

            “Quebrou? Flip dá outro”. O resto era informação sobre como adquirir o Flip Guaraná e como ganhar um copo com a marca do refrigerante. E no final, o slogan: Flip Guaraná é guaraná no duro. Também surgiu, com o tempo, o Flip-Ton, uma deliciosa versão da água tônica, a Flip Cola, um guaraná mais escuro e com sabor diferente, imitando a Coca Cola.



            Durante 24 anos de existência (1950-1974) a fábrica era mantida pelo irmão Isaac Zagury que dedicava muito tempo para a empresa, com a ajuda de Casemiro. José Zagury, o criador da fórmula, preparava e aperfeiçoava a formula, criando outros produtos que culminaram com a Laranjada Flip. Em geral o Flip Guaraná era seco e não era muito doce, como os guaranás de outros Estados. Tinha gente, amante do álcool, que misturava o refrigerante nas bebidas fortes, o que “reduzia” o teor alcoólico sem alterar o sabor da bebida.

            A semente do guaraná vinha de Maués, Amazonas; depois de beneficiada era transformada em extrato fluido até formar uma solução semipastosa e, só então seguia para a fabricação do produto. As dificuldades eram muitas e, por isso mesmo, o Flip Guaraná não foi exportado para outros Estados, porque mal dava par abastecer o mercado interno. Na realidade, a garapa vinha de São Paulo, o rótulo e a estampa do Rio de Janeiro. O engarrafamento era quase artesanal: usava-se um pedal para encher as garrafas; era uma máquina já ultrapassada em relação aos grandes centros de fabricação.



            Mesmo com os sucessos de vendas, os lucros continuavam pequeno, em razão do pouco investimento industrial que se fazia, pois até a água tratada era conseguida com muita dificuldade. O preço do produto era tabelado pelo preço do concorrente. A produção era igual ao consumo. No começo eram produzidas 50 caixas por dia. Depois adquiriram outra máquina seminova, comprada em Belém-PA, a produção dobrou para 100 caixas-dia. Passados alguns anos, Moysés  foi ao Rio de Janeiro e encontrou, na fabrica de cerveja Caracu, uma máquina que estava sendo vendida em perfeito funcionamento e bem mais moderna que as existentes aqui. Moyses passou um mês recebendo instruções sobre o funcionamento e manutenção.

            Como tinha certa intimidade com a mecânica, decidiu que ele mesmo montaria a máquina, que quadruplicaria a produção: 200 caixas/dia. Mas montar esse equipamento em Macapá, sem o apoio de uma equipe de mecânicos, foi uma aventura pioneira. Moysés só contava com a ajudada do motorista do caminhão de entrega. Foi nessa arriscada operação de montagem, que ele perdeu um dos dedos.


            A produção aumentou, mas a importação da matéria-prima continuava sendo um espinhoso e oneroso caminho. Alem disso, a concorrência aumentava o poder de fogo. Vieram o GuaraSuco, a Coca Cola, o Guaraná Vigor e uma porção de outras marcas. Ficou difícil aguentar essa concorrência e não havia outra alternativa, senão fechar a fábrica, o que ocorreu em 31 de dezembro de 1974, para tristeza dos consumidores fiéis.


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