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terça-feira, 12 de julho de 2016

Memória: FRANCISCO CALDEIRA CASTELO BRANCO



FRANCISCO CALDEIRA CASTELO BRANCO, fundador da cidade de Belém-PA, nasceu em 1566. Sua atuação somente tomou destaque a partir de 1613, ocasião em que governava a Capitania do Rio Grande do Norte. Em 1615 Gaspar de Souza, governador geral do Brasil, comissiona Castelo Branco a ir a Portugal tratar de assuntos relacionados com a Administração do Brasil; como queria, entretanto, que levasse noticias frescas mandou-o em 01 de julho de 1615 ao Maranhão com 250 homens e negocia com os holandeses, passando sua tropa para a Ilha de São Luiz, ocupando o pequeno forte de Itaparu, que recebeu o nome de São José. Prestigiado pela amizade de Gaspar de Souza, Castelo Branco, no lugar de se unir a Jerônimo de Albuquerque no Maranhão, conquistador daquelas terras, foi diretamente com o francês La Ravardiere, procurando com ele entendimentos pessoais. Isso encheu de revolta os soldados de Jerônimo, quase degenerando conflito entre as tropas dele e as de Castelo.

O fato foi levado, por Jerônimo, ao conhecimento de Alexandre de Moura, capitão-mor de Pernambuco, que se deslocara para o Maranhão, a frente de 9 navios e 600 homens. Derrotados os franceses com o reforço chegado, as forças portuguesas tornaram-se senhoras das fortificações contrárias existentes no Maranhão. Os gauleses fugiram para o norte. Diz Jorge Hurley (“Noções de História do Brasil e do Pará”) que ao conhecer as terras do Maranhão, Castelo Branco ficou tomado por uma profunda ambição de governa-las. E lá permaneceu, como adjunto de Jerônimo.

Porém Alexandre de Moura encarregou-o de fundar a capitania do Pará. Saindo do Maranhão no dia 25 de dezembro de 1615, a expedição, composta das embarcações Santa Maria da Candelária, Santa Maria das Graças e Assunção, tomou o rumo do Pará. Castelo Branco recebera a patente de “descobridor e primeiro conquistador do Amazonas”. Durou 18 dias a viagem: no dia 12 de janeiro de 1616 aportam as embarcações na baía de Guajará, chamada pelos tupinambás, que habitavam a região, de Paraná-Guaçu. À terra descoberta deu Castelo o nome de Feliz Luzitânia. Conseguindo tornar-se amistoso com o cacique Guaimiaba, desceu com seus homens, começando a construção de um forte chamado Presépio e de uma capela sob a invocação de N. S. das Graças.

Dois anos decorridos e eis que surgiu o primeiro motim na nova colônia: um sobrinho de Castelo Branco, de nome Antonio Cabral, assassinou, a punhaladas, o capitão Álvaro Neto. A tropa pediu a punição do criminoso no que não foi atendido: o capitão-mor não quis punir o parente. E, além disso, resolveu mandar encarcerar os que mais se exaltaram no protesto, capitães Tadeu dos Passos e Paulo da Rocha. Entretanto o comandante Baltazar Rodrigues de Melo não cumpriu a determinação: no lugar de deter os subalternos,ele, aolado dos demais oficiais, prendeu o próprio Castelo Branco, mantendo-os com grilhões: esse fato ocorreu pela madrugada; ao levantar-se da cama o capitão-mor foi agarrado “pelos braços por Cristóvão Vaz Bitencourt, e Antonio Pinto, com dois homens mais, dos quais um levava um grilhão bem pesado que, com punhal na mão, lhe meteu os pés”.


Substituiu a Castelo,, por aclamação de tropa, o conjurado Baltasar de Melo. Porém, em 1619 os dois seguiram presos para Lisboa, por determinação do rei da Espanha (naquela altura Portugal estava na dependência espanhola). Acompanharam-nos, também presos, Antonio Cabral, Antonio Pinto e Cristovão Vaz Bitencourt. Faleceu em Lisboa humilhado, em data incerta.

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