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domingo, 29 de janeiro de 2012

O Largo dos Inocentes ou Formigueiro



Situado atrás da Igreja de São José, em Macapá, entre a rua São José e a Tiradentes, a primeira informação do Largo dos Inocentes data de 1761. O local passou a ter essa denominação por causa da Passagem dos Inocentes, que ligava a Rua do Lago (atual General Gurjão) e a atual Coriolano Jucá. No largo eram realizadas as festas em louvor a Nossa Senhora Menina, ao Menino Jesus e os Pequenos Mártires Inocentes.[1] Os festejos não incluíam as práticas utilizadas por ocasião das datas de devoção a São Raimundo Nonato, São Luiz Gonzaga, São José, São Benedito, São Sebastião, Nossa Senhora do Rosário, Divino Espírito Santo e Santíssima Trindade.

Atualmente a nomenclatura é Formigueiro, compreendendo toda a área delimitada pelas avenidas General Gurjão e Presidente Vargas e ruas São José e Tiradentes. O tombamento do local teve seu processo iniciado pelo Conselho Estadual de Cultura.

Naquela época já se preocupava em construir a casa dos moradores nas duas laterais detrás da Igreja.

A largura do logradouro correspondia ao trecho ocupado pelo templo e as duas travessas, que passavam a seus lados (Travessa de Santo Antonio e Travessa do Espírito Santo). No ponto de fundo paralelo à igreja ficava a última via pública da vila, que ostentava o nome do fundador de Belém, capitão Francisco Caldeira Castelo Branco. Uma passagem, denominada depois de coronel José Serafim Gomes Coelho, interligava o Largo dos Inocentes com a rua General Gurjão e com a travessa Floriano Peixoto.

Ao lado esquerdo da igreja de São José o espaço abrigaria a casa do vigário Miguel Ângelo de Moraes. No lado oposto foi construído o prédio do Senado da Camara[2]. As casas que circundavam o Largo dos Inocentes eram feitas de barro. Não havia espaço entre uma casa e outra. De cada lado figuravam dez casas. Ao longo da existência de Macapá, inúmeras famílias ocuparam as moradias. Em anos mais recentes, que antecederam a criação do Território Federal do Amapá, em 1943, famílias tradicionais ali se estabeleceram, entre elas: os Linos, os Tavares, os Serra e Silva, os Ramos, os Lemos, os Marianos etc.

Em 1948, com a chegada dos missionários italianos do Pime[3], a configuração do Largo dos Inocentes mudou. O trecho da passagem José Serafim, entre o Largo e a avenida Presidente Vargas (ex Travessa Floriano Peixoto) foi fechado. As casas edificadas entre a passagem e a casa do vigário foram desapropriadas. O domínio dos padres ganhou cerca e virou “Quintal dos Padres”, local ainda muito freqüentado pelas crianças da paróquia de São José.



[1] Alusão à passagem bíblica do Evangelho em que várias crianças abaixo de 12 anos foram assassinadas sob ordens do rei Herodes, no período em que se espalhou a noticia de que tinha nascido o futuro “rei dos Judeus”, Jesus Cristo.

[2] No atual prédio da Biblioteca Pública Elcy Lacerda.

[3] Pime: Pontifício Instituto das Missões.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Laranjal do Jari, informações geo-históricas

Acesso à Cacheira de Santo Antonio

Município de Laranjal do Jari. Localiza-se na região sudoeste, à margem esquerda do rio Jari, que separa o Estado do Amapá do Estado do Pará, na região sudoeste. A altitude é de 50m (sede).

Limites: faz limite com os municípios de Vitória do Jari, Mazagão, Pedra Branca do Amapari e Oiapoque; com o estado do Pará e ainda com os países Suriname e Guiana Francesa.

Área: 31.170,3 Km²

População:

Censo de 2010: 38.170 habitantes:

Estimativa 2006: 35.872 habitantes;

Censo 2000: 28.515 habitantes.

Densidade Demográfica: 0,89 habitantes por Km²

Divisão Política

Possui as seguintes comunidades e distritos: Água Branca do Cajari, Cachoeira, Iratapuru, Laranjal do Jari (sede), Marinho do Cajari e Padaria. Comunidades indigenas: Ari, Aruwaity, Cachoeirinha, Cinco Minutos, CTA, Jakare, kakay (índios Waiapi), Kirawary, Kumata, Kuruwaty, Maninha, Mariry, Najaty, Waseity, Ysururu e Ytuasu.

Vias de Acesso

Para as localidades vizinhas, as vias de acesso são feitas através dos transportes fluviais e rodoviários. Ao Estado do Pará (por Almeirim) dá-se através de embarcações conhecidas na região por ‘catraias’, com uma duração média de um minuto. Quanto à capital do Estado, pode ser feito através de barcos com uma duração média de 16 horas. Também já é possivel fazer por via rodoviária.

O transporte urbano é feito por empresas de ônibus atendendo diaramente apenas a dois bairros: Centro e Agreste, ficando de fora Malvinas, Santarém e Samaúma, por localizarem-se em terras alagadas. Há um número elevado de táxis que transportam os municipes satravés de lotações, que terminam superando os próprios transportes coletivos oficiais.

Relevo

O relevo na parte sul do município, caracteriza-se por uma faixa de planície amazônica, sujeita a inundações periódicas. Na parte norte do relevo, encontra-se o Planalto cristalino das Guianas.

Ao Norte e ao Nordeste, encontra-se a Serra do Tumucumaque e ao leste, a Serra do Iratapuru. Quanto ao solo, caracteriza-se, predominantemente, pelos latossolos vermelho-amarelos.

Vegetação

A vegetação em toda a região norte possui florestas de galerias ao longo dos rios e florestas densas, apresentando algumas espécies de madeiras nobres, de excelente valor comercial, que garantem o potencial econômico da área. Ao sul, há grandes extensões de campos inundáveis.

Hidrografia

O município é drenado pelo rio Jari e seus afluentes à margem esquerda e pelo rio Cajari à margem direita.

Clima

Predomina o clima tropical chuvoso, com temperatura máxima de 32,6º e mínima de 20º centígrados. Precipitação: as chuvas ocorrem nos meses de dezembro a agosto, não chegando a atingir 3.000mm. A estação seca inicia no mês de setembro e vai até a metade do mês de dezembro, quando podem haver temperaturas mais altas.

Economia

No setor primário há a criação dos gados bovino e bubalino. Estes último, em maior proporção. Há os cultivos de arroz, abacaxi, banana, cupuaçu, feijão, laranja, milho, melancia e mandioca.

No setor secundário, a extração e a fabricação de palmitos de açaí (Florida). Sobressai a extração da castanha-do-Brasil, voltada à fabricação de óleo comestível, hoje exportada para a Europa (França); algumas padarias e fábricas de tijolo que além de atender o alto consumo interno, exporta boa parte para o Estado do Pará. Também possui algumas movelarias que fabricam produtos de boa qualidade.

No setor terciário o comércio é, indubitavelmente, fator importantíssimo para o desenvolvimento da região, além de vários bares, boates e alguns hotéis.

O Governo do Estado investiu, em 2000, R$ 130 mil na região do Iratapuru, em obras de reforma e ampliação da fábrica de beneficiamento de castanha-do-pará, administrada pela Cooperativa de Produtores Extrativistas do Rio Iratapuru.

Turismo e Eventos Culturais

O rio Jari possui diversas cachoeiras, mas a principal é a de Santo Antônio, considerada uma das mais belas do Brasil, muito visitada aos finais de semana. Eventos Culturais: os festejos em junho (dia 15/16) em louvor a Santo Antônio, padroeiro do lugar e ainda o festival da Castanha-do-Brasil, realizado pelas cooperativas, no mês de julho.

Saúde e Saneamento

O setor saúde restringe-se a atendimentos de primeiros-socorros em postos de saúde. Os casos mais graves têm de ser encaminhados à capital. A Balsa Hospital Dr. Lélio Silva está parada.Apesar do abastecimento de água oferecido pela Caesa ter contribuido para o deslocamento da parte da população para o interior do municipio, onde existem terras mais adequadas e a ocupação humana, continua sendo precária ao longo do rio Jari, que apresenta aglomerado de casa de palafitas. Assim, o abastecimento de água tratada atinge apenas 40% da população. O saneamento basico na área é inexistente. Existe atualmente um projeto tramitando no Bird, para investimento com fins a propor melhores condições de saneamento para o municipio.

Educação e Lazer

No setor educacional, o municipio conta com 8 escolas municipais na zona urbana e 11 na zona rural, atendendo do pré-escolar à 4ª série do primeiro grau.

O setor de lazer fica restrito a alguns balneários, três campos de futebol, pequenos bares e uma balsa flutuante. A cidade é desprovida de outros lugares públicos para o lazer e o acesso à cultura (praças, teatros e cinemas). Conta com uma biblioteca municipal.

Histórico

O município de Laranjal do Jari foi desmembrado do município de Mazagão. A ocupação humana na área onde encontra-se o município, e no vale do Jarí em geral, remonta à primeira metade do século XVII. Em 1623, o capitão-mor Bento Maciel Parente iniciou a construção de uma casa-forte, na feitoria do Caaguarái, cujas terras hoje pertencem ao projeto Jarí, sendo a casa forte, posteriormente destruída pelos holandeses que já ocupavam a região.

Ainda na área do Caaguará, Pedro Teixeira e outros companheiros, em 1625, apoderaram-se de um fortim que os ingleses mantinham entre os índios Tucujus. Em 1627, Parente enviou um detalhado memorial à Casa Portuguesa, demonstrando a grande dificuldade de manter uma imensa área como a Amazônia, sugerindo que a mesma fosse dividida em Capitanias.

Em função desta sugestão, foi criada a Capitania do Cabo do Norte, que se estendia de Alenquer (Pará) até a região do Oiapoque (Amapá), na divisa com a Guiana Francesa e limitada a Oeste pelo rio Paru, tendo como sede a vila de Iauacuará, hoje a cidade de Almeirim, em 1637.

As missões religiosas tiveram um papel importante no desenvolvimento da região, no período de 1692-1757. Outro fator que contribuiu foram as migrações nordestinas, principalmente na época áurea da exploração da borracha, entre os anos de 1872 e 1920.

A primeira leva nordestina para a região Norte ocorreu em 1869, e dessa leva, 50homens, oriundos do Ceará, trazidos por João Gabriel de Carvalho e Melo e fixados nos seringais do Estado do Amazonas. Um nome que pontificou, na época do desbravamento, da região do Jarí, foi o do cearense José Julio de Andrade, de família paterno oriunda da Península Ibérica e materna de origem da região da Toscana, na Península Itálica. O coronel José Júlio, como era mais conhecido, se instalou na região provindo do município de Benevides (Pará), e dentro de pouco tempo passou a ser considerado o maior comerciante da época, chegando a possuir uma frota de 13 embarcações, construídas em estaleiros ingleses.

Outros nomes como os de José Cezário de Medeiros, Francisco José da Silva (Sombreira) e, mais recentemente, Daniel Ludwig, contribuíram para o desbravamento e desenvolvimento da região do Jari.

O atual município de Laranjal do Jarí originou-se do “Beiradão”, ou propriamente por causa do projeto Jari, empreendido pela Companhia Jari Florestal e Agropecuária Ltda, do milionário norte-americano Daniel Ludwig, que sonhou construir um império auto-sustentável na região equatorial com atividades voltadas à exploração de celulose, pecuária e agricultura de arroz de várzea, além do reflorestamento da área.

Como se tratava de um projeto de grande porte, a empresa necessitava de bastante mão-de-obra. Motivados pelo afã nacionalista (década de 60) e visando melhores condições de vida, muitos trabalhadores para lá se dirigiram. Boa parte foi contratada de forma temporária e indireta, por empreiteiras, que não lhes asseguravam os direitos trabalhistas. Dispensados pela Companhia, não dispunham de recursos nem para moradia, tampouco para retornar aos seus locais de origem. A maioria foi obrigada a viver às margens do rio, em palafitas, sem as mínimas condições de higiene e sobrevivência. Isto fez com que o Beiradão se tornasse conhecido como a maior favela fluvial do mundo e uma das mais pobres e violentas populações brasileiras. A prostituição também chegou a índices alarmantes.

O projeto era grandioso, contudo, maior do que seu insucesso, foram suas conseqüências para uma população que ainda dele se ressente.

Apesar de já haver ganhado contornos de cidade, pois parte do centro urbano foi aterrado e asfaltado, tais como: boates substituídas por escolas e instalações de esgotos feitas na década de 80, a população do Laranjal do Jari ainda enfrenta problemas graves pela falta de saneamento básico (doenças); incêndios provocados por instalações elétricas precárias, principalmente devido ao aglomerado de palafitas, além das enchentes, que periodicamente deixam a cidade em situação calamitosa.

Em 6 de maio de 1978, chega a Laranjal do Jarí, nos dique do rio Munguba, a usina de Força e que abastecerá a fábrica de celulose da Jarí Florestal e Agropecuária, construída sobre plataforma flutuante, em Kure (Japão), pelos estaleiros da Ishika-Wagima, especialmente para o Projeto Jarí.

Em 15 de fevereiro de 1993. É inaugurado o Fórum da Comarca de Laranjal do Jarí, pelo desembargador Dôglas Evangelista Ramos, presidente do Tribunal de Justiça do Amapá.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Indios do Amapá: Karipuna


A maior parte da população indígena que atualmente se define como Karipuna encontra-se nas margens do rio Curipi, principalmente no seu baixo e médio curso, na Área Indígena do Uaçá. Além das quatro aldeias maiores e principais, Manga, Espírito Santo, Santa Isabel e Açaizal, existem várias localidades residenciais dispersas ao longo do rio Curipi: Zacarias, Inglês, Mahipá, Txipidon, Paxiubal, Bastião, Campinho, Kutiti, Tauahu, Xato, Bovis, Taminã e Japim. Apesar da dispersão, cada uma dessas localidades reconhece sua conexão com uma das quatro aldeias maiores.

Na BR-156, que liga as cidades de Oiapoque e Macapá, estão localizadas mais três aldeias Karipuna: a aldeia Piquiá, no Km 40, a aldeia Curipi, no Km 50, e a aldeia Estrela no Km 70. Esta estrada corta a área indígena do Uaçá justamente na região das cabeceiras dos rios Uaçá, Curipi, afluentes e da zona de reservas faunísticas, onde são realizadas expedições de caça e coleta de frutas silvestres e de onde se retira a madeira para construção de casas, barcos e canoas. Esta região sempre foi vítima de caça e pesca predatória, e com a abertura da BR-156 o acesso de invasores ficou ainda mais fácil.

Há ainda, mais duas aldeias Karipuna situadas no rio Oiapoque: Ariramba, situada dentro da Área Indígena Galibi e, Kunanã, localizada na Área Indígena do Juminã.

A paisagem natural dessas reservas é caracterizada pela presença de uma extensa bacia hidrográfica constituída pelos rios Oiapoque, Curipi, Urukauá, Uaçá e Cassiporé. Com exceção do rio Oiapoque, cuja nascente está fora e distante das reservas indígenas, a paisagem que caracteriza os alto e médio cursos dos demais rios é a florsta tropical de terra firme, de onde provém a madeira e a caça de que precisam esses povos.

As agências que atuam entre os Karipuna, que atualmente contam 1.656 pessoas (Funai 1998), são a Funai, o Cimi e a FNS.

Nome: Karipuna

Aldeias: Manga, Espirito Santo, Santa Isabel, Açaizal, Zacaria, Inglês, Mahipá, Txipidon, Paxiubal, Bastião, Campinho, Kutiti, Tauahu, Xato Bovis, Taminã, Japim, Piquiá, Curipi, Estrela, Ariramba, Kunanã, Jondef, Afumã, Encruzo, Karia.

População: 1.974 (2002)

Localização: Municipio de Oiapoque

Lingua: Crelo e francês.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Historia dos jesuitas no Amapá

Padre Antonio Vieira

A intensificação do trabalho missionário jesuítico se dá a partir da chegada do padre João de Souto Maior em 1652. Coube ao padre João a fundação do colégio de Santo Antonio em Belém. A partir desse ano as terras do Cabo do Norte passaram a ter neles, evangelizadores sistemáticos e constantes. Outra tarefa de Souto Maior foi em 1654, quando passou a estabelecer laços de amizade com os Aruaque, ajudando-os a vencer os Aniba, seus inimigos. A vitória sobre os Aniba teve a ajuda de 70 soldados e 400 índios ao comando do major João de Bittencourt Muniz. Algum tempo depois, os Aruaque consentiram a fundação de uma missão chamada Jari, que passou, em seguida, às mãos dos franciscanos. Mais tarde essa missão tornou-se vila, com a denominação de Fragoso, com uma igreja paroquial. Desavenças e descontentamentos entre comerciantes e exploradores fizeram com que esses jesuítas fossem expulsos do Cabo do Norte por duas vezes: a primeira ocorreu em 1660 e a segunda em 1757.

Em 1666 os padres de Santo Inácio começaram a exploração da Guiana Francesa, mas houve um movimento sistemático de trabalhos evangélicos ao norte e sul da Capitania, produzindo um trabalho magnífico que constou de levantamentos cartográficos, exploração de rios e fundação de escolas. É nesse período – que vai de 1672 a 1800 – que tiveram início as primeiras coletas de dados feitas por pesquisadores de várias nacionalidades, sobre festas, danças, teatro sobre a vida dos santos, folias e o arraial, que surgiu com a finalidade prática de proporcionar comida e pousada aos visitantes e romeiros. Também entre os jesuítas houve quem fosse martirizado pela exploração dos comerciantes e aventureiros entre os índios, que se dividiam provocados pela lábia desses. Em 1687 os jesuítas Antonio Pereira (natural do Maranhão) e Bernardo Gomes (Pernambuco) se estabeleceram na região do Cabo do Norte, fixando residência em uma ilha do lago Camonixary. O governador Antonio Coelho de Carvalho e o padre Aloísio Conrado Pfeill, que os tinham acompanhado, ajudaram-nos na construção de uma casa, deixando-os depois de algumas semana, entregues aos trabalhos de evangelização. No dia 13 de setembro, um grupo de índios insuflados pelos comerciantes massacra os dois padres brasileiros. Seus corpos, encontrados pelo padre Aloísio são transportados para Belém e sepultados solenemente na igreja de Santo Alexandre.

Uma Carta-Régia de Portugal, datada de 12 de abril, proclama uma nova repartição das terras entre as congregações religiosas. Aos jesuítas coube a margem direita do Amazonas; aos capuchos de Santo Antonio as terras do Cabo do Norte e a margem esquerda do Amazonas, desde o Atlântico até o Paru (Almeirim), e aos frades da Piedade o rio Xingu e o distrito de Gurupá. As missões do rio Jari estavam sendo bastante positivas. A esse tempo, o padre Antonio Cunha encontra os Waiãpi (Guiapises) que haviam emigrado do sul do Pará, além dos Mocura, que estavam sendo assistidos desde 1700 pelos franceses que passavam a lhe dar presentes, em troca de algumas terras para o estabelecimento de feitorias. Em 1709 o padre Antonio Cunha consegue dissuadir esses índios da amizade dos franceses. Deslocando-se para o baixo Jari, eles passam a constituir uma missão, tornada oficial em 1710, através da Carta Régia datada de 2 de julho, que autoriza a Companhia de Jesus a explorar e catequizar os índios de ambas as margens do rio.

Coube ao jesuíta Miguel Ângelo de Morais, acompanhar algumas famílias açorianas ao mando do governador Mendonça Furtado, com a incumbência de darem início à povoação de Macapá em 1751. O próprio padre Miguel Ângelo os ajudou, juntamente com o coronel João Batista de Oliveira e uma guarnição sob seu comando, à construção de casas para as famílias e barracos para servirem de alojamento aos soldados que seriam enviados para cá. Mesmo acusados de terem protegido contrabandistas famosos como Pedro Braga e Francisco Portilho, perseguidos e temidos em toda a região, eles conseguiram, em 6 de junho de 1755, a abolição, por completo, da escravidão indígena do Pará e Maranhão. Mas o que ficou caracterizado por abolição, foi apenas uma troca: os índios escravizados foram libertados, mas a partir desse ano teve início a fase mais negra (literalmente falando) da história: a exportação de escravos africanos.

domingo, 8 de janeiro de 2012

A história do Projeto Jari


No ano de 1882, veio para o município de Almerim no Pará um jovem migrante cearense, chamado José Julio de Andrade que aos poucos consolidou suas atividades extrativistas em Almerim e no município vizinho Mazagão. Achando a região pouco ocupada, José Julio não teve muitos problemas para instalar-se e dominar o comercio extrativista da região. Aos poucos foi ocupando e tomando posse de uma área de aproximadamente um milhão e seiscentos mil hectares, (16.000km2) cuja via principal de acesso era o rio Jari. Para se ter idéia da área basta lembrar que o estado de Israel tem 21.000km2. Esta foi a área na qual o projeto Jari se desenvolveu.

O Coronel José Julio, como era conhecido, desenvolveu uma empresa que comercializava principalmente castanha do Pará e borracha obtidos nesta área.
Em 1948, já velho (pois morreu 4 anos depois em Portugal), vendeu suas terras a um grupo de cinco comerciantes portugueses e um brasileiro, que continuaram o mesmo sistema de extrativismo e comércio.

Em 1967, a então Jari Indústria e Comercio S/A, como era denominada, foi vendida ao armador americano Daniel Keith Ludwig que, indo contra a vontade de seus conselheiros econômicos, insistiu em estabelecer um empreendimento de grande porte na Amazônia.

Neste mesmo ano Ludwig concluiu as negociações com os proprietários e com o governo brasileiro, fundando então a Jari Florestal e Agropecuária Ltda., iniciando as atividades que passaram a ser conhecidas como o "Projeto Jari"
A finalidade maior do projeto era a produção de celulose e papel, para suprir uma demanda destes produtos que atingiria o seu pico em 1985 segundo seus informantes econômicos.

Foi planejado plantar uma área de cerca de 160.000 hectares, ou seja, 10% da área dominada, dos quais 100.000 foram plantados entre 1968 e 1982.
De acordo com os planos originais, uma fábrica de celulose foi projetada para funcionamento em 1978, sendo encomendada e construída pelos estaleiros Ishikawagima no Japão, sobre duas plataformas flutuantes, que foram rebocadas desde o Japão até Munguba no rio Jari, tendo atravessado o mar da China, os oceanos Pacífico, Índico e Atlântico, subindo o rio Amazonas até a sua confluência com o Jari, e o rio Jari até a localidade de Munguba, onde foram instaladas.
Numa das plataformas estava instalada a fábrica de celulose, com capacidade nominal de 220.000 toneladas de celulose branqueada de fibra curta por ano; na outra uma usina de força a vapor para gerar 55 megawatts de energia elétrica e o vapor necessário ao processo industrial.

Para os efluentes gasosos e líquidos da operação foi projetado um sofisticado sistema de tratamento e controle, incluindo uma lagoa de estabilização de 184 hectares, por onde os líquidos industriais percorrem 12 km, antes de desaguarem outra vez no rio, portanto sem causarem nenhuma poluição.

Paralelo a este empreendimento foi construída também uma planta de beneficiamento de caulim de alta qualidade, cujas jazidas foram encontradas a poucos quilômetros da fábrica, rio acima, na margem oposta, caulim este que serviria para branqueamento do papel, cuja fábrica seria construída numa segunda fase.

Como atividades agrícolas Ludwig desenvolveu o plantio de arroz nas áreas alagadas de várzea a jusante da fábrica, no rio Jari próximo à sua foz no Amazonas, complexo este totalmente mecanizado, aproveitando o sistema de marés que atingem o Amazonas e o rio Jari para encher e esvaziar as áreas plantadas.

Também desenvolveu uma pecuária de alta qualidade, com experimentos de inúmeros cruzamentos genéticos industriais, inclusive uma grande criação de búfalos, que geraram uma tecnologia totalmente desconhecida no mundo, e que hoje é modelo para várias áreas tropicais e até temperadas, tendo aumentado a sua capacidade reprodutiva de cerca de 60 a 70%, como era conhecida, para até 98%, através do conhecimento do estro das búfalas.

De hábitos simples e temperamento reservado, Ludwig desenvolveu suas atividades sem se preocupar com a imagem negativa que aos poucos o projeto foi adquirindo junto à opinião pública nacional e internacional.
No decorrer de 1981, desgostoso com o ambiente hostil que se formara contra ele e aborrecido com demoras inexplicáveis para obtenção da licença de construção de uma hidrelétrica e outras atividades necessárias ao projeto, o empresário suspendeu o fluxo de capital que havia mantido durante tantos anos e que, segundo os livros, passava de um bilhão de dólares, e iniciou suas providências para se afastar do Jari.

Diante dos fatos, o governo brasileiro, decidiu convocar um grupo de 23 empresas brasileiras para assumir o controle do projeto. Dentre estas empresas estava a "Caemi" liderada por Augusto Trajano de Azevedo Antunes, o mesmo que anos antes organizara a Icomi, no Amapá, primeiro grande empreendimento bem sucedido na Amazônia, depois de tantos fracassos com a Madeira-Mamoré, a Fordlândia e outros.

Augusto Antunes atuou como mediador entre Ludwig e o consórcio brasileiro, tendo conseguido resolver o impasse de maneira razoável para todos, o que resultou na tomada de posse do empreendimento pelo grupo brasileiro e a constituição, em 22 de janeiro de 1982, da empresa Companhia do Jari, que assumiu o controle total do empreendimento inclusive suas dívidas em ienes, relativa ao financiamento das plataformas.

O novo grupo confiou a administração do projeto ao grupo Caemi, sendo a operação executada por subsidiárias da Cia. Do Jari, a Caulim da Amazônia (caulim), a Cia. Florestal Monte Dourado (celulose) e a São Raimundo AgroIndustrial (arroz).

Conscientes do desafio assumido e da necessidade de viabilizar o empreendimento, recuperando ainda sua imagem perante a opinião pública, os novos empreendedores passaram a atacar ativamente diversos pontos críticos, visando adequar a empresa à nova realidade. Devido ao pioneirismo as técnicas silviculturais não estavam bem dominadas, e os estudos mostraram que a partir de 1984 faltaria madeira para celulose, obrigando os novos administradores a relevantes programas de plantio e de pesquisas florestais, que aconselharam a substituição das espécies utilizadas por outras de maior produtividade, e novas técnicas florestais desenvolvidas pela equipe de brasileiros que assumiu.
Isto mudou a tendência do projeto a tal ponto que em 1986 ele deu o primeiro ano de lucro para os acionistas.

A Cia Florestal Monte Dourado completou em 22 de janeiro de 2002 vinte anos de atividades com um currículo bastante satisfatório, construído palmo a palmo durante este período. Material genético testado, mudas de alta qualidade, escolha dos sítios adequados, melhor preparo do solo, controle efetivo de pragas e ervas invasoras, sistemas de corte e transporte de baixo impacto sobre o ambiente e a racionalização no uso dos equipamentos e da mão de obra foram as medidas básicas que mais contribuíram para a significativa redução de custos e grande aumento da produtividade dos plantios no mesmo local, portanto sem expandir as áreas desmatadas com novas derrubadas.

Hoje a tecnologia adquirida propicia o plantio repetido nas mesmas áreas onde já foram colhidas as safras anteriores de madeira, já estando o projeto na quinta e sexta rotações, com produtividades crescentes, já sendo considerada a floresta de maior produtividade no Brasil e conseqüentemente do mundo, com o mais baixo custo por tonelada de madeira, ocupando apenas 47.000 hectares, portanto menos do um terço da área inicialmente concebida para plantios.

Isto é bom para os novos empreendedores que vierem a se instalar na região Amazônica, pois é um exemplo de desenvolvimento sustentado e de ocupação que deu certo empregando e sustentando direta e indiretamente mais de 100.000 brasileiros.

No campo industrial, um aumento da produção da fábrica pela adequação de diversos equipamentos elevou paulatinamente sua capacidade nominal de 220 mil para 340 mil toneladas de celulose por ano, mostrando assim o alto grau de profissionalismo das equipes brasileiras.

Infelizmente, após a morte de seu mentor, um dos maiores empresários que o Brasil já possuiu, o Projeto Jari - como inúmeras outras empresas do grupo Caemi, como a Icomi a MBR e inclusive a própria Caemi - foram vendidos a outros grupos, pois nenhum de seus sucessores estava à altura de continuar os grandes feitos deste portentoso brasileiro que foi Augusto Trajano de Azevedo Antunes.
Com obstáculos superados e em plena produção, a empresa passou a merecer atenção de outros grandes empresários, e após receber várias propostas, o BNDES e o grupo Caemi resolveram aceitar a proposta da Saga Investimentos e Participações, holding de capital 100% nacional controlada por Sergio Amoroso, que apresentou a melhor proposta, e no dia 29 de fevereiro de 2000 foram finalmente assinados os documentos para a transferência.

Se alguém se interessar pela completa história do Projeto Jari poderá adquirir o livro "Jari 70 anos de História" do autor Cristóvão Lins, que na sua terceira edição conta a saga da ocupação desta região desde sua ocupação pelos indígenas. Para atender a toda esta atividade na sua imensa área foram projetados por Ludwig diversos sistemas de transporte de pessoal e carga, não só para chegar e sair da região como também e principalmente, para movimentação dentro deste grande território.

Primeiramente visando a grande movimentação de carga entre o Jari e o mundo (porque o grande mercado de celulose e caulim visado era, como foi até hoje, a Europa), foram construídos três portos, um em Belém, outro junto à fábrica de celulose e o terceiro junto à planta de beneficiamento de caulim. Estes dois últimos têm capacidade para receber navios de até 35.000 toneladas.
O transporte fluvial de cargas e passageiros entre Belém e o Jari passou a ser feito por uma frota de balsas, rebocadores e um barco para 292 passageiros, adquiridos por Ludwig.

Para o transporte aéreo de pessoal e cargas foi construído um aeroporto e adquiridos 2 aviões Islander bimotores para 9 passageiros cada, 2 DC3 para 28 passageiros cada, e um turbo hélice FH Hirondelle para 44 passageiros.
Dentro da área do projeto foram construídos 60 km de estradas principais com 16 metros de largura, 1.500 km de estradas secundárias com caixa de 8 metros de largura, e 6.000 km de estradas florestais, com 4 metros de largura, que propiciam tráfego o ano inteiro graças à sua qualidade de construção e o plano de manutenção.

Alem disto, e motivo de todo este preâmbulo, foi construída uma ferrovia para o transporte de madeira, que deveria ter inicialmente 220 km de extensão, com nove pátios de estocagem de madeira para energia e para a fábrica de celulose, dos quais só foram construídos 68 km.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Novo Amapá, 31 anos




Era noite de 6 de Janeiro de 1981, quando o barco ribeirinho Novo Amapá naufragou na foz do rio Cajari, próximo ao município de Monte Dourado (PA), levando às águas mais de seiscentas pessoas. Trezentas destas perderam a vida e dezenas passaram horas de pânico e desespero, imersas na água e na escuridão.

A embarcação, com suporte para transportar no máximo 400 pessoas e meia tonelada de mercadoria, partiu do Porto de Santana com mais de 600 passageiros e quase um tonelada de carga comercial. Seu destino era o município interiorano de Monte Dourado, com escala em Laranjal do Jari. Como as viagens anteriores duravam em torno de um dia e meio, seu proprietário havia reformado-lhe, instalando um motor hidráulico a mais, o que facilitaria na velocidade da embarcação.

A lista de despacho, segundo a Capitania dos Portos na época, tinha registrado cerca de 150 pessoas licenciadas pelo despachante Osvaldo Nazaré Colares. Mas na embarcação havia mais de 600 vidas. O despachante (falecido em abril de 2001, vítima de Dengue Hemorrágica) afirmou que só foi informado da tal lista após já ter partido há certas horas e que a lista foi deixada sob sua mesa, quando ele estava ausente.

O comandante responsável pela viagem, Manoel Alvanir da Conceição Pinto, seguiu todas as instruções necessárias do proprietário, sobre a viagem. O proprietário era Alexandre Góes da Silva, que teve seu corpo encontrado no camarote da embarcação. Hoje com 53 anos de idade e 29 de profissão marítima, Manoel Alvanir continua seus serviços como marinheiro. Atualmente trabalha em algumas embarcações no porto do Ver-o-Peso, em Belém. Poucas lembranças lhe vem à memória quando o assunto é a tragédia do Novo Amapá.

Seu único comentário volta-se para o comando do barco. Segundo versões de sobreviventes na época, a responsabilidade pela cabine de comando estava nas mãos inexperientes de um garoto. "Isso é mentira. Havia sim um garoto ao meu lado na cabine de comando, mas não deixei por nenhum momento ele pegar na direção do barco, como andaram dizendo", afirmou o ex-comandante que fez, da que seria uma simples viagem fluvial, o maior naufrágio da navegação brasileira.

"FOI INEVITÁVEL"

Segundo a lista da Capitania dos Portos do extinto Território Federal do Amapá, cerca de 650 pessoas embarcaram no Novo Amapá e menos de 180 puderam sobreviver. "Muita gente diz que foram duzentos e poucas pessoas que sobreviveram. Isto não é verdade", contradiz dona Creuza Marques dos Reis, sobrevivente hoje com 65 anos. Dona Creuza embarcou com sua filha e a neta. Somente ela e a neta de um ano e meio sobreviveram. Atualmente morando em Santana, tem como sustento um estabelecimento comercial diversificado.

Sobrevivente Armando da Silva Batista, hoje com 36 anos, trabalha na Champion Amapá no cargo de guarda patrimonial. Conta que uma das causas das inúmeras mortes terem ocorrido foi o auxílio dos salva-vidas. "Essas pessoas que pegaram os salva-vidas morreram quase todas porque dormiram e aquilo atrapalhou; não sabiam o que estava acontecendo", disse.

Funcionário de empresa que vendia utensílios de cozinha para toda a região do Amapá, Armando viajava freqüentemente em época de pagamentos, para fazer cobranças, acompanhado do colega Edson. Momentos antes da tragédia ambos haviam se separado. "Como a área das redes estava muito quente, disse pro meu colega que ia pro andar de cima e quem sabe só retornar de manhã", relatou.

Ao ser perguntado sobre o momento em que o barco tombou, Armando contou com detalhes: "Levei uns 15 minutos pra chegar na cabine. Quando cheguei lá, ele (comandante) mandou servir um café pra mim, pro Roberto (amigo) e duas meninas do Jari. Nos 15 minutos que cheguei lá, o barco deu um tombo para um lado e um tombo para o outro. Eu ainda perguntei pro Alvanir: 'Alvanir, isso é maresia?'. Ele disse: 'Rapaz, por incrível que pareça, nessa região não dá maresia'. Quando ele terminou de falar, o barco tombou de uma vez. Foi como uma virada de carro. Inevitável."

Buscando até mesmo com precisão a hora em que o barco tombou, foi o que aconteceu com o sobrevivente Enoque Magave da Silva, hoje com 41 anos, policial militar que, minutos antes do trágico tombo, conseguiu ver as horas em seu relógio de pulso: eram 20h45min. "Eu estava com relógio no braço e vi as horas normalmente. Quando de repente senti o barco virar lentamente. Como estava deitado numa rede de frente para uma senhora, fui um dos primeiros a parar logo dentro d'água na hora do tombo", contou Magave, que no mesmo ano do desastre casou-se com sua atual esposa e ingressou na Polícia Militar.

A recém-formada magistrada Kátia Isabel Andrade, hoje com 38 anos, era amiga pessoal da tripulação, principalmente do comandante Manoel Alvanir e do proprietário Alexandre Góes da Silva. "Tinha feito outras viagens no barco e já conhecia o pessoal", disse Kátia, que ironizou a tragédia momentos antes de acontecer, na hora da jantar. "Eu terminei de jantar e disse pro pessoal na mesa que ia me banhar e minhas colegas disseram: 'Tu vai morrer', daí eu falei: 'Não vou não. Se não morrer agora, não morro mais'. Daí fui pro banheiro, tomei banho e voltei pro camarote (...)". Segundo Kátia, foi tão rápida a virada do barco que ela só percebeu o que estava se passando quando as luzes do camarote se apagaram e que água circulava ao seu redor.


O DESASTRE

Após partir do Porto de Santana por volta das 14hs do dia 6 de Janeiro de 1981, a embarcação tombou aproximadamente às 21hs. A notícia da tragédia chegou à capital no dia seguinte, através de dois sobreviventes.

A verdadeira dimensão do desastre iniciou quando a imprensa local divulgou a lista de despacho na qual constava que somente 146 pessoas haviam sido liberadas para viajar, enquanto que na embarcação estiveram presentes mais de seiscentas pessoas.

Em menos de 48 horas toda a imprensa nacional voltou-se para o então Território Federal do Amapá, acompanhando todas as informações sobre a tragédia do Cajari. O jornal norte-americano New York Times do dia 10 de Janeiro publicou matéria na primeira página sob o título "Tragédia na Amazônia: 282 mortos".

CULPADOS

Segundo alguns sobreviventes, a inexperiência de um garoto na cabine de comando pode ter sido a causa do desastre. O garoto que muitos se referem pode ser José Roberto da Silva Pinto, hoje com 32 anos e que há pouco tempo trabalhava no cemitério onde foram enterradas as vítimas do naufrágio. "Isso é mentira dizerem que foi um garoto a causa principal da tragédia", disse José Roberto, criticando certas afirmações ditas na época pela imprensa.

Roberto era amigo da tripulação há tempos e, vez por outra, viajava no Novo Amapá a pedido do proprietário Alexandre Góes, que comandava a embarcação e também era dono de um estabelecimento comercial no município de Santana, onde Roberto já trabalhara. "Antes mesmo de começar a viajar no Novo Amapá, eu trabalhava num bar de que ele era dono", disse Roberto.

Alguns sobreviventes insinuaram que um banco de areia pode ter sido uma das principais causas do trágico tombo na foz do Cajari. Mas segundo certas informações que se encontram em livros geográficos e hidrográficos da época, o nível do rio Cajari era bastante alto para levá-lo a inclinar-se lentamente para as águas.

Outra grande causa - e a mais conhecida até hoje - vem a ser a superlotação da embarcação. Mas, pergunta-se: se a superlotação possa ter sido a causa do naufrágio do barco Novo Amapá, por que não tombou momentos após deixar o Porto de Santana, sabendo que havia uma grande quantidade de passageiros à bordo?




DINHEIRO

O Governo Territorial, que tinha como chefe executivo o comandante Annibal Barcellos, buscou auxiliar moralmente, mas a ajuda foi carente, tanto que a verba enviada do Governo federal para ser utilizada no resgate dos sobreviventes e servir parcialmente na indenização dos parentes das vítimas era de 25 milhões de cruzeiros (hoje em torno de 10 milhões), mas somente cinco mil cruzeiros foram usados, no que se levou a crer num desvio, assim divulgado pelo Jornal Amapá Urgente de 12 de Janeiro de 1981.

O fato entrou em processo jurídico um ano depois quando o advogado Pedro Petcov assumiu o caso, rolando pela Justiça federal por quase 15 anos. Após a morte do advogado em 1996, o caso foi arquivado sem ter alcançado o principal objetivo: indenizar os familiares das vítimas mortas e os sobreviventes. "Todos ainda têm uma esperança de algum dia receber algo da justiça pela aquela noite trágica", disse o sobrevivente Haroldo Fernandes de Souza, hoje com 44 anos, atual funcionário do Tribunal de Contas do Estado, na esperança de receber algum dia algo que compense a fatídica noite de 6 de Janeiro de 1981.

DADOS TÉCNICOS DO "NOVO AMAPÁ"

- Comprimento Externo: 25,10m
- Comprimento entre Perpendiculares: 22,50m
- Boca Máxima: 5,88m
- Boca Moldada: 5,70m
- Comprimento de Arqueação: 21,68m
- Tonelagem Bruta: 100,445 toneladas
- Tonelagem Líquida: 66,189 toneladas


Fonte: Arquivos da capitania dos Portos
Departamento Regional do Pará
Inquérito Marítimo nº 22.031 - pág. 117



A reportagem que eu não queria ter feito


Meu nome é Humberto Moreira. Sou jornalista e na época do naufrágio do barco Novo Amapá eu estava na direção do departamento de jornalismo da Rádio Nacional. Um imprevisto ocorrido com o companheiro Paulo Silva, obrigou-me a embarcar no empurrador Pajé, na noite do dia 7 de janeiro, rumo ao local da tragédia.

A notícia do naufrágio chegou a Macapá no começo da tarde do dia 7 de janeiro. Mas as informações eram muito vagas. Ninguém sabia ao certo quantas pessoas estavam à bordo do barco sinistrado. Havia um boato que dava conta que a Jari Florestal mandaria uma balsa para socorrer as vítimas. O governo demorou para tomar as primeiras providências. Só quando os primeiros sobreviventes chegaram a Santana foi composta a equipe de resgate.

Na manhã do dia 8 chegamos ao local da tragédia do Novo Amapá. Parte do barco estava fora dágua, numa demonstração de que o pânico acabou matando muita gente naquela fatídica noite.
O quadro era Dantesco. Dezenas e dezenas de cadáveres boiando nas águas barrentas do Cajari, no lugar chamado de Ponta dos Aruans.
No resgate estavam: o doutor Torrinha, um enfermeiro, sete soldados voluntários do exercito. três policiais militares e mais duas embarcações pequenas, (Dias e Colares)que traziam os corpos amarrados uns aos outros em adiantado estado de putrefação, exalando um odor que entranhava em nossas roupas. Um guindaste (pau de carga) manuseado pelos soldados, embarcou 192 cadáveres, empilhando-os na balsa uns sobre os outros. Foram dois dias de trabalho. Durante o dia aviões atiraram frascos de formol no rio. A substânciae foi aplicada sobre os mortos sem fazer muito efeito. Caixas de leite em pó, carne em conserva e cachaça, eram jogadas no rio para que as voadeiras apanhassem. Os tripulantes do empurrador estavam constantemente embriagados, chorando nos corredores. Ninguém estava preparado para um choque daquele tamanho.
O comandante Marapanin, totalmente transtornado, falava em atracar direto em Santana. Manoel Antônio Dias, na época secretário de obras do TFA, pediu a mim e ao médico Torrinha para não deixar o comandante trazer a balsa direto para para o porto, onde milhares de pessoas esperavam nossa chegada.
A Rádio Nacional teve um papel importante, informando o andamento do resgate. Utilizando o equipamento de comunicação da embarcação consegui passar mais de trinta flashes. Conosco um motorista que perdeu toda a família, procurava identificar seus entes queridos. Tudo em vão.

No dia 10 de janeiro fundeamos na entrada do Rio Matapi, onde os corpos foram colocados nos caixões. Uma equipe veio do porto para auxiliar nos trabalhos. Mas ao chegar perto da balsa, muitos quiseram pular no rio, tal era a intensidade do odor e ainda devido o quadro horripilante dos corpos empilhados uns sobre os outros.
Quando saltei em terra permaneci alguns minutos perambulando pela área do porto, até que alguém me levou a uma barraca, onde fui imunizado. Um carro da Radiobrás me trouxe para Macapá. Ao chegar na minha casa fiquei mais de uma hora tomando banho. Porém parecia que o mau cheiro continuava presente. Ele estava dentro de mim, nos meus pulmões. Por fim consegui dormir, depois de 72 horas sem pregar os olhos. As imagens, infelizmente continuam gravadas em minha memória. Trata-se da reportagem que eu nunca gostaria de ter feito. (Humberto Moreira)

Em 18 de janeiro de 1989, a revista VEJA, desta data, publica reportagem sobre o barco Novo Amapá, palco do naufrágio fluvial, agora navegando com o nome de Santo Agostinho:


ESQUIFE AMBULANTE
Sobre o barco Novo Amapá que foi flagrado pela Revista Veja, transportando passageiros no trecho Belém-Santarém-Belém, com o nome “Santo Agostinho”.
Ancorado no porto comercial de Belém, no Pará, o barco Santo Agostinho aguardava, na semana passada, que passageiros suficientes embarcassem para zarpar com destino a Santarém. A tripulação e os poucos passageiros que se encontravam no barco não sabiam que o Santo Agostinho já teve outro nome e destino – em 1981, chamado de Novo Amapá, o barco naufragou no rio Cajari, em Macapá, matando 378 pessoas, na maior tragédia da história da navegação brasileira. Numa prática freqüente entre armadores, o barco foi içado do fundo do rio no mesmo ano do acidente, ficou três anos em reformas e voltou a navegar. Hoje, o Santo Agostinho faz a rota Belém-Santarém-Belem com uma lotação máxima de 100 pessoas.
Quando afundou, o Novo Amapá estava com 696 passageiros a bordo, embora sua capacidade fosse de 150 pessoas. Teresinha Quiroga de Souza, uma das passageiras, se recusou a entrar na embarcação ao ver o número de pessoas que já estavam embarcadas e foi à Capitania dos Portos denunciar o excesso de lotação. Como a Capitania não demonstrou preocupação, Terezinha voltou ao porto e retirou seus quatro filhos do barco. Após quatro horas de viagem, o contramestre Manoel Alvanir da Conceição Pinto errou uma manobra, e o caso da embarcação bateu num banco de areia. Sobrecarregado e com a carga mal distribuída – dois automóveis Volkswagen e 200 engradados de bebidas, - o barco virou e afundou rapidamente.
“A culpa foi da Capitania dos Portos, que liberou o Novo Amapá através do despachante Manoel Nazaré Colares”, afirma o prefeito de Macapá, João Capiberibe, que escreveu um livro sobre o acidente, Morte nas Águas. A impunidade dos responsáveis, Capiberibe atribui ao então governador nomeado do Território do Amapá, Annibal Barcellos, hoje deputado federal. “Ao contrário do que está fazendo o governador do Rio de Janeiro, Moreira Franco, no caso do naufrágio do Bateau Mouche IV, Annibal Barcellos não incentivou a abertura do inquérito policial civil”, diz Capiberibe. O Tribunal Marítimo apurou as causas e concluiu que o único culpado foi o contramestre Manoel Alvanir, condenado a pagar uma multa de 29.961 cruzeiros – cerca de 350.000 cruzados em dinheiro de hoje (1989) – o que, numa contabilidade mórbida resulta na fixação do preço de uma vida em 296 cruzados. Um dos donos do barco morreu no acidente, e o outro, Manoel Jesus Góis da Silva, tratou de recuperar o que sobrou da embarcação. Os parentes das vítimas nada receberam de indenização. Transcrito da revista Veja, edição de 18 de janeiro de 1989, página 21 (Em Dia)
Em 22 de março de 1996, o governador João Alberto Capiberibe sanciona a lei municipal nº 262, autorizando o Estado a construir um memorial em homenagem às vítimas do naufrágio do Novo Amapá. Até agora não houve indenizações às vitimas e familiares dos mortos no acidente.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Municipio de Itaubal, perfil geo histórico




Nome oficial: Municipio de Itaubal.

Lei de criação: nº 5, de 1º de maio de 1992

Limites: Norte: municipio de Macapá; Sul: rio Amazonas; Leste: Rio Amazonas; Oeste: municipio de Macapá.

Localização: Ao norte do Estado do Amapá. Latitude 0 graus, 36 minutos e 19 segundos N, e 50 graus, 41 minutos e 46 segundos W Gr. Distância para a capital: 103 km.

Área: 1.569 km2.

Altitude da sede: 8,11m

População:

Censo 2010: 4.026 habitantes;

Estimativa 2006: 4.062 habitantes.

Estimativa 2005: 3.884 habitantes.

Censo 2000: 2.894 habitantes

Comunidades Principais: Sede (Itaubal do Piririm), Aracu, Bom Sucesso, Cacau, Carmo do Macacoari, Cobra Capim, Comunidade dos Porcos, Cristo Libertador, Curicaca, Foz do Macacoari, Igarapé Cobra, Igarapé Fundo, Igarapé Novo, Ilha da Pedreira, Inajá, Ipixuna Grande, Jupati, Nova Canaã do Itaubal, Pau Mulato, Pescada, Puraquê, Quintino, Ramal do Adonias, Rio Jordão, São Miguel, São Tomé do Macacoari , São Raimundo do Macacoari, Siriúba e Uruá.

Vias de Acesso. A distãncia da capital é de 90 quilômetros, via rodoviária. Às localidades vizinhas: terrestre e marítimo. À capital: terrestre e marítima. Meios de transporte utilizado pela população: bicicletas, carros, montarias, lanchas, voadeiras e barcos de pequeno porte.

Meios de Comunicação. Telefone e Correios

Relevo. A área do municipio apresenta quatro tipos distintos de solo: hidromóficos gleysados e discriminados, latossolo amarelo, laterita hidromórfica e concrescionária lateríficos. Os solos hidromórficos gleysados aparecem na parte norte/leste/sul do municipio e pertencem ao período quaternário e têmcomo principais peculiaridades a textura argilosa indiscriminada, entrófica, medianamente profundos e com fertilidade natural variando de baixa altura. Estes solos são os mais representativos do municipio e ocupam 40% de sua superfície.

Vegetação. O municipio possui uma cobertura vegetal variada, tendo como dominância uma vegetação herbácea, constituída de gramínias e ciparáceas nas áreas de planícies inundáveis, formando compos naturais, os quais se estendem pelo leste municipal e pertencem à área fisiográfica da planície flúvio-marinha Macapá / Oiapoque.

Em segundo lugar destaca-se a vegetação de cerrado, localizada principalmente no centro e a oeste do municipio, apresentando-se de forma descontínua, interceptada pela floresta de terra firme, de várzea ou igapós. Ocupa as áreas de formação terciária em trânsito com as de planície. Em alguns pontos, a área está representada pela vegetação de parque e em outros pelos cerrados, sendo este nos limites com as florestas. Finalmente, aparece a floresta da terra firme e a da várzea, que ocupam diversos espaços municipais, interceptadas pelas áreas de cerrados e de planícies.

Clima. O clima predominante é o tipo tropical chuvoso, tendo como característica principal a presença de um pequeno período seco, temperatura média nunca inferior a 18 graus centígrados. Apresenta um alto indice pluviométrico anual, quase sempre acima de 2.500 mm e, sua umidade relagiva gira em torno de 80 % durante o ano.

Hidrografia: A rede hidrográfica do municipio é constituida de rios e igarapés. Ele é banhado ao norte pels rios Piririm e Jupati; ao sul pelo rio Amazonas, ao Oeste pelo rio Macacoari e ao leste pelo rio Amazonas.

Economia. As principais matérias-primas existentes no municipio são madeira, pesca, palmito e pecuária. Itaubal tem como principal fonte de economia a agricultura e a pecuária, sendo que a agricultura é de subsistência, e é a que predomina. Poucos agricultores têm investido em culturas permanentes. Atualmente os pesquisadores da Embrapa desenvolvem estudos voltados para a região de terra firme.

A pecuária se baseia em rebanhos bubalinos, bovinos, equinos e ovinos. O extrativismo vegetal está voltado para a extração de madeira, sendo as principais espécies: andiroba, pau mulato, cedro e virola. Grande parte dessa madeira é comercializada em toras, sendo residual o beneficiamento nas serrarias localizadas na região.

A pesca artesanal desempenha um papel de fundamenal importância para a dieta alimentar da população no municipio. As principais capturadas são: tucunaré, cará, traíra e tamuatá. Essa atividade vem sendo afetada negativamene pela bubalino-cultura, o que levou a comunidade a reunir-se com o objetivo de sugerir medidas protetoras da fauna ictiológica. Através da pesca o abastecimento de alimentos da cidade se torna viável, com isto a pesca artesanal também se torna uma fonte alternativa de renda.

A atividade industrial é inexpressiva no municipio, restringindo-se a pequenas serrarias, loclaizadas na região ribeirinha. A industria extrativa mineral não é praticada no municipio.

A atividade comercial resume-se na existência de um reduzido número de estabelecimentos varejistas (mercearias e baiucas), que comercializam sobretudo gêneros alimentícios. Segundo o cadastro comercial da prefeitura, existem 23 estabelecimentos varejistas, dos quais 9 localizam-se na sede do municipio e os demais encontram-se distribuídos pelas localidades rurais.

Serviços: Grande parte da população depende de emprego na prefeitura e governo do Estado. Cerca de 80% dos funcionários municipais são mulheres, que complementam a renda familiar. No município inexistem agências bancárias.

Saúde e Saneamento: A saúde começou a ser cobrada pela população a partir da criação do Conselho Municipal de Saúde, em 24 de março de 1994. O municipio conta com um posto de Saúde na sede, e 8 posto espalhados pelas comunidades. O serviço de abastecimento de água é prestado pela Caesa, sendo a captação feita através de poço artesiano. O sistema de coleta domiciliar de lixo é uma vez por semana, somente nos órgãos públicos. Assim, a população usa o recurso da queima do lixo em seus quintais.

Educação: Itaubal dispõe de escolas de 1º grau em quase todo o municipio. Na sede existe uma escola estadual, que atende o ensino fundamental e médio. O indice de analfabetismo é de 20%, sendo 6% na area urbana e 14% na zona rural.

Cultura e Lazer: Uma biblioteca na sede municipal,na escola estadual. Festival do Açaí (segunda quizena de junho). Religião predominante: católica. Os santos mais festejados são São Benedito (Na sede, na segunda quinzena de Novembro), Santa Maria, São Camilo de Lélis, São Sebastião (20 de janeiro), São Tomé e Nossa Senhora da Conceição. Além da Igreja Católica, existem outras denominações evangélicas, como é o caso da Assembléia de deus, que forma boa parte dos religiosos.

Existem duas praças esportivas (futebol e voleibol) e uma quadra poliesportiva, que funciona na escola estadual. Banhos de cachoeiras, lagoas, corredeiras e igarapés.

História

Edificada sob uma elevação de terras à margem direita do rio Piririm. O topônimo vem de Itaúba, uma madeira de lei abundante no local. O primeiro nome a receber o povoado foi irmandade de São Benedito. As primeiras notícias do município datam de 1935 quando algumas famílias de agricultores passaram a residir no local. Em 1940 chegam mais migrantes, trazendo uma imagem de São Benedito que passou a ser o padroeiro do lugar e até hoje encontra-se no altar da igreja matriz de Itaubal. Nesse mesmo ano é celebrada a primeira missa, pelo padres Felipe Blanc (MSF).

Em 1941 é implantada a primeira escola do municipio, em caráter particular, prlo professor Fortunato Santana, que vindo de Macapá, notou que a então povoação era carente de escola. Nesse mesmo ano, mais precisamente em 30 de novembro de 1941, aconteceu um grande incêndio que destruiu as 14 casas da vila, e os moradores reconstruiram suas casas, com a ajuda de vários migrantes que para lá se dirigiram. Em 1942, após a desistência de Fortunato Santana, um outro professor, de nome Estêvam Quaresma, vindo do Bailique, instala a segunda escola, ainda particular.

Após a criação do Território Federal do Amapá, em 1943 (13 de setembro), o primeiro governador, Janary Nunes, autoriza a criação daquela que vai ser a primeira escola pública de Itaubal, tendo como primeiro professor, Manoel Francisco. A implantação dessa escola foi bastante esperada pelos moradores. Após a abertura de um ramal, pelos próprios moradores, chegou em Itaubal o primeiro carro, em 1957. Foi um jeep, dirigido pelo engenheiro Doglas Lobato Lopes, que veio fazer o reconhecimento da estrada.

Em 1959 é instalada energia elétrica na então vila de Itaubal. Nesse mesmo ano o padre Sandro Rigamonti, vindo fazer a criação de uma comunidade católica, muda o nome de Irmandade de São Benedito para Itaubal do Piririm. Em 1988 Itaubal é declarado distrito de Macapá, sendo José Raimundo Ferreira do Rosário empossado como primeiro agente distrital, pelo então prefeito de Macapá João Alberto Capiberibe.

Em 1991, por iniciativa do governador Annibal Barcellos, é realizado um plebiscito para saber se a vontade dos moradores seria de que Itaubal fosse transformado em municipio. Com a aceitação popular, Itaubal passa a ser municipio a partir de 1º de maio de 1992, pelo decreto estadual nº 5. O prefeito pró-tempore passa a ser Ovidio Vale. O primeiro prefeito eleito foi José Raimundo Ferreira do Rosario.

A primeira Camara de Vereadores, que representou a população no período de 1993 a 1996, foi composta de Antonio Marques da Cosdta, Antonio Vieira, Dorival Brazão, Ivete Moraes, José do Carmo, José Serafim Filho, Leopoldo Machado Filho, Raimundo Lima, Sebastião Paes