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terça-feira, 20 de novembro de 2012

O negro: primeiros tempos na historia do Amapá



Os primeiros escravos negros a chegar ao Grão-Pará, vieram do Maranhão, e parte deles foi instalado, em 1755, nas vilas existentes a partir do governo  de Mendonça Furtado. Os negros aptos para o trabalho, em geral eram classificados da seguinte maneira: 1. NEGROS DE CAMPO: trabalhavam no cultivo de arroz, café, urucu, cacau, algodão, cana de açúcar, extração de pedras e madeira, pastoreio de gado, preparação da cal e de tijolos; Negros domésticos: Podiam ser de ganho e aluguel. 2. NEGROS DE GANHO: carregava água, capinava, vendia doce e prestava conta do apurado. 3. NEGROS DE ALUGUEL:,  compreendendo carpinteiros, sapateiros, barbeiros, sangradores etc, tinham liberdade para trabalhar para terceiros e cobrar seu trabalho. Do valor apurado ele compensava o senhor e guardava o excedente.

Em 15 de março de 1624, um decreto real proclama a libertação de todos os índios escravizados pelos colonos portugueses. A partir daí, tem inicio o tráfico de negros africanos para o Brasil e as demais colônias.

Quando o negro pertencia ao governo, suas atividades eram coordenadas pelo Senado da Câmara. O negro do governo, no caso de Macapá, trabalhou como porteiro, no ofício do tambor, como cozinheiro, na olaria, nas pedreiras e nas obras da Fortaleza de S José de Macapá. Como as obras da Fortaleza começavam a valer a partir de 1765, vem deste ano os primeiros registros da vinda de negros do governo destinados à fortificação.

Em 7 de janeiro de 1765, sessenta negros foram entregues ao Senado da Câmara. Dos 114, 7 foram para as pedreiras do rio Arapu (Pedreira, ou Arapecu). No dia 19 constataram-se as quatro primeiras fugas. Tratava-se de negros que pertenciam ao Senado da Câmara, que se negavam a trabalhar voluntariamente e aprender a língua portuguesa. Quase sempre esses negros fugitivos, ao serem recapturados, viviam em “calcetas”, espécies de correntes com bolas de ferro presas à perna. Brutos e violentos, sempre encaravam o feitor. O negro que trabalhava sereno e não dava trabalho, recebia o apelativo de ladino.

Em março de 1765, havia oito negros fugidos, seis acorrentados, 55 no hospital vitimados pelo sarampo, que já matara três escravos. Em abril, o sarampo grassava na vila de Macapá. Cerca de 98 negros da fortificação e 22 da serraria caíram doentes, dos quais 10 faleceram.

Em agosto de 1765, foram capturados 41 dos 51 negros fugidos. Não era difícil recapturar os negros fugidos, visto que eles não conheciam bem a região. Os que se aventuravam pelo lago do Curiaú, ou eram presos ou acabavam retornando à vila.

Com relação ao Curiaú, nunca houve quilombo ali. Nas terras do Amapá, os quilombos situavam-se apenas nas Campinas do médio rio Anauerapucu, no lago do rio Arapecu (local das pedreiras, do rio Flexal até o Araguary). As regiões do Curiaú, Campina da Rosa e Lagoa de Fora, pertenciam ao português Manoel Antonio de Miranda, que era alferes da guarnição da Fortaleza. O quilombo do rio Araguary, na margem esquerda, área do contestado, era o maior de todos. A permanência dos fujões era muito breve. Dali eles seguiam no rumo norte.

Em setembro de 1767, três nos após o inicio de suas obras,  a Fortaleza e a pedreira do rio Araguary, concentravam 2.453 escravos, dos quis, 1.389 estavam na fortifcação e 1.064 na retirada de pedras. Em outubro, aumentou o número de negros na Fortaleza: 1.588. O aumento na pedreira foi menor, apenas 96. Assim, eram 2.748 negros esgotando suas forças para concluir uma obra cuja razão era questionada.

Após a inauguração da Fortaleza de São José, os negros de obra passaram para as outras áreas do Pará. Permaneceram em Macapá os negros do Senado da Câmara, os de propriedade particular e os que conseguiram comprar a própria liberdade.

Em 1771, quando se instalou a vida de Nossa Senhora da Assunção, também conhecida como Nova Mazagão, 103 escravos com forte influência berbere ali desembarcaram, acompanhando seus senhores.

Em 1772, o número de escravos, de ambos os sexos, era de  76 pessoas, decorrente da saída de diversas famílias por causa das doenças.

Em 1839, quando o estado sanitário da vila havia melhorado, Mazagão contava com 1.152 habitantes, entre os quais 325 escravos. Em  1862, 3.653 pessoas residiam em Mazagão, registrando-se 329 cativos.

Macapá, no ano de 1839 contava com 737 escravos. Em 1862 eram 722 negros escravos. Até 1888, quando entrou em vigor a Lei Áurea, o número de escravos em Macapá e Mazagão era bem reduzido.

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