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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Academia Amapaense de Letras, uma instituição que não decolou


A Academia Amapaense existe, mas só no papel. A Instituição foi fundada em Macapá, em 21 de junho de 1953, pelo coronel Janary Gentil Nunes, que reuniu os intelectuais da terra, entre eles Aracy Miranda de Mont’Alverne, Antonio Munhoz Lopes, José Benevides, Paulo Eleutério Cavalcante de Albuquerque, José Araguarino Montalverne, Cora de Carvalho, Amaury Guimarães Farias, Edson Gomes Correa e outros.

Em 6 de julho de 1956, Janary Nunes, na tentativa de reorganizar o silogeu, faz um eloqüente discurso na Piscina Territorial, que transcrevemos a seguir.

ACADEMIA AMAPAENSE DE LETRAS

Senhor presidente, senhores membros, excelentíssimas senhoras, senhores...

O Amapá é uma idéia em marcha para o porvir, é um sonho que se realiza a cada instante. Debruçado entre o Oiapoque e o Jarí no maciço guiano, cuja idade é da formação da terra, contempla na direção do nascente a imensidão do oceano e ao sul do gigantesco Amazonas, que liga os Andes ao mar vislumbrando seu destino universal. A história da incorporação de seu solo à pátria, é o mais inteligente e o mais perseverante capitulo do livro de outro escrito pela diplomacia luso-brasileira na fixação das nossas fronteiras. O Amapá merece assim uma academia, cujos membros sejam os garimpeiros de suas pedras preciosas ainda por descobrir, nesse cascalho rico que é o seu passado, nossa mina que é a sua natureza. Surpreende-nos entretanto, senhores acadêmicos, a honra demasiada que nos concedem, escolhendo-nos membros honorários de vossa sociedade. Não encontramos frases apropriadas para exprimir nossa gratidão a esse gesto que nos cativa eternamente.

Desejamos que a Academia Amapaense de Letras, constituída de homens de cultura, acompanhe, participe e oriente a caminhada que o vosso povo vai trilhar. Os acadêmicos têm sido alvo de críticas nem sempre justas e serenas. Acusam-nos de esterilidade, de limitação à rebeldia criadora, de cenáculo vaidoso onde se esfria a chama sagrada da beleza.Mas tantas já foram as graças de Deus derramadas sobre esta terra, que as nossas esperanças se animam e dão-nos a certeza de que a Academia Amapaense de Letras formará um ambiente propício aos altos remígios do Espírito. O Amapá é um convite irresistível aos que possuem sensibilidade e aptidão para traduzir em palavras o que sentem.

Antes da criação do Território, Aurélio Buarque escreveu interessante ensaio intitulado AMAPÁ. Alfredo Távora Gonçalves levou-nos o VERDADEIRO ELDORADO. Mário da Veiga Cabral nas edições de sua COROGRAFIA BRASILEIRA, divulgou episódios da formação da fronteira setentrional. Arthur Vianna fez a HISTÓRIAS DAS FORTIFICAÇÕES CONSTRUÍDAS PELOS PORTUGUESES. Palma Muniz, através dos ANAIS DA BIBLIOTECA E ARQUIVO PÚBLICO DO PARÁ, deu-nos a HISTÓRIA DOS MUNICÍPIOS DE MACAPÁ, MAZAGÃO E MONTENEGRO. Jorge Hurley mostrou a participação de Macapá e Mazagão na Cabanagem. Emílio Goeldi situou as cerâmicas do Cunani e do Maracá. O general Rondom imprimiu RODOVIA MACAPÁ/CLEVELÃNDIA. Alexandre Vaz Tavares e Acelino de Leão cantaram as belezas de seu torrão natal. Pedro de Moura e Josalfredo Borges divulgaram elementos básicos de nossa geologia. Dois cientistas franceses publicaram volumosos ENSAIOS SOBRE A GUIANA BRASILEIRA. Henry Coundreau com LA FRANCE EQUINOCIALE e Brousseau com LES RICHESSES DE LA GUYANE FRANÇAISE. Macapá teve um jornal impresso: PINSONIA. Eis a obra em resumo de algumas famosas personalidades amapaenses ou que passaram por aqui deixando sua marca intelectual.

Aguardam divulgação os estudos de Álvaro da Cunha, Alceu Magnani e Lucio de Castro Soares. Ainda não foram descritas como merecem, no seu heroísmo anônimo a existência do balateiro, esses caboclos indômitos que munidos de um pouco de sal, jabá e farinha, embrenham-se na mata, somem e desaparecem na floresta para voltarem meses após, maltrapilhos e doentes. Eis senhores acadêmicos, alguns temas que pedem livros e mais livros. A cultura de um povo só se conquista acumulando experiências, somando conhecimentos, multiplicando pesquisas. Alcançaremos a meta que aspiramos. Pioneiros da segunda metade do século XX, lutemos para fazer do Amapá, desta terra generosa e deste povo amigo, um conjunto amigo e feliz, onde não falte a crença que constrói nem a beleza e nem o amor. (Transcrito do jornal “O Amapá”, de 6 de julho de 1953.)

Ela foi reorganizada em 31 de agosto de 1988, com a posse de novos membros: Nilson Montoril de Araújo (historiador e novo presidente), Antonio Cabral de Castro (advogado), Aracy Miranda de Montalverne (professora), Estácio Vidal Picanço (professor e historiador), Georgenor de Souza Franco Filho (advogado), Dagoberto Damasceno Costa (historiador), Fernando Pimentel Canto (sociólogo) e Manuel Bispo Correa (professor).

Atualmente ela encontra-se inativa, e toda a documentação da instituição encontra-se em poder do professor Nilson Montoril de Araújo, que desde a ultima reorganização do silogeu (1988) não promoveu qualquer reunião cultural.

Um comentário:

  1. Mais novo escritor baiano, recebe cumprimentos e elogios do presidente da
    Academia De Letras Do Brasil e do famoso Gerald Thomas.

    Pelo livro O CAPACETE CIBERNÉTICO DA Dra. CANON
    postado no:

    www.livrobomgratis.blogspot.com

    Ele da uma aula de Tupi-Guarany quando afirma e explica, que o correto
    é Igaçu e não Iguaçu.

    Leia cumprimentos e elogios abaixo e posteriormente acesse o blog do
    escritor: www.livrobomgratis.blogspot.com

    ---------- Mensagem encaminhada ----------
    De: Mário Lopes
    Data: 15 de setembro de 2011 11:43
    Assunto: Re: ESCRITOR BAIANO FALA DE TUDO E DE TODOS ATÉ DA ABL
    Para: José Santos


    Meus cumprimentos pessoais pela bela produção literária.

    Um forte, eterno e Imortal abraço!

    Amigo Incondicional
    Mário Carabajal
    Presidência/Academia de Letras do Brasil
    - nos primeiros dias de outubro estarei percorrendo o Sertão da Bahia,
    diplomando presidentes 'Pró-tempore' de seccionais municipais...

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