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domingo, 19 de dezembro de 2010

Coaracy Nunes, primeiro parlamentar do Amapá


Esta foto é de 1958, e mostra a situação em que ficou o avião "Paulistinha", que provocou a morte de Coaracy Nunes, Hildemar Maia e Hamilton Silva


O primeiro deputado federal, pelo Amapá. Irmão do primeiro governador, Janary Gentil Nunes. Coaracy Monteiro Nunes nasceu de Alenquer, Estado do Pará, em 3 de outubro de 1913, e faleceu em 21 de janeiro de 1958, de acidente aéreo, nas matas do Macacoari (pertencente ao município de Macapá), juntamente com o promotor Hildemar Pimentel Maia e o piloto Hamilton Silva. Filho de Joaquim Ascendino Monteiro Nunes e de Laury Gentil Nunes. Fez os estudos primários e secundários no Colégio Nazaré, que os irmãos Maristas possuem em Belém. Ingressou na Faculdade de Direito do Pará, transferindo-se depois para Recife, onde recebeu o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. Seguiu para o Rio de Janeiro, ingressando no quadro de funcionários do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários, exercendo altas funções. Com a criação do Território Federal do Amapá, foi representante do governo na capital da República, o Rio de Janeiro. Articulou com as lideranças nacionais do Partido Social Democrático - PSD, a fundação da instituição política no Amapá. A 19 de janeiro de 1947 foi eleito Deputado Federal, tendo como Suplente o Dr. Hildemar Maia. No Congresso Nacional foi presidente de várias comissões parlamentares, passando vários anos à frente da Comissão Parlamentar de Valorização da Amazônia. Visitava com freqüência os Ministros da República, sempre em busca de melhorias para o Amapá. Integrou inúmeras comitivas de deputados e senadores que vieram visitar o Território.


Sua ligação com o Território Federal do Amapá começou em 25 de janeiro de 1944, quando foi nomeado representante da nova unidade federativa no Rio de Janeiro, então sede do Governo da República. Coaracy Nunes já residia e trabalhava na “cidade maravilhosa” como servidor do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários, exercendo altas funções. Iniciou seus estudos superiores na Faculdade de Direito do Pará, transferindo - se depois para Recife, capital do Estado de Pernambuco, onde recebeu o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. De Recife seguiu para a capital federal.


Revestido da função de representante do governo do Território do Amapá no Rio de Janeiro, Coaracy Nunes revelou - se um desbravador dos caminhos tortuosos da burocracia. Tendo a política como a arte de bem governar os povos, tornou - se, mesmo sem ocupar cargo eletivo, um paladino das causas públicas. Em apoio ao trabalho do governador Janary Nunes, seu irmão, Coaracy percorria diariamente diversos órgãos públicos, principalmente o Ministério da Justiça e dos Negócios Interiores, ao qual os Territórios Federais eram subordinados. Acompanhou com invulgar denodo o andamento dos processos que requeriam liberações de verbas para a implementação do governo amapaense. À época, o Brasil vivia sob o autoritarismo da ditadura que Getúlio Vargas implantara em 10 de novembro de 1937. Os governadores dos Estados e dos Territórios Federais eram nomeados pelo Presidente da República. O Congresso Nacional, fechado na data acima referida, permanecia com as portas cerradas. O Dr. Getúlio Vargas governava por decreto, exercendo a função legislativa de forma ampla e irrestrita. Assim foi até o primeiro trimestre de 1947, quando o país voltou a contar com a reabertura política e o funcionamento das Câmaras de Vereadores, Assembléias Legislativas e Congresso Nacional. Entre os integrantes da Câmara Federal estava Coaracy Nunes, eleito a 19 de janeiro de 1947, tendo o Promotor Público Hildemar Pimentel Maia como suplente.

Os dois notáveis cidadãos, ambos de temperamento similar, foram submetidos às urnas sem adversários, haja vista que o Partido Trabalhista Brasileiro não obtivera registro no Tribunal Regional Eleitoral. Por ocasião daquela eleição, votava-se tanto no candidato ao cargo titular como no suplente. Sem entender bem o mecanismo eleitoral, os eleitores do Amapá, na primeira eleição aqui realizada, sufragaram com maior evidência o nome de Coaracy Nunes, praticamente esquecendo os suplentes, Dr. Hildemar Maia e Otto Prazeres. O número de eleitores no Território do Amapá ainda era restrito. Estavam inscritos 2.712 eleitores e o resultado foi o seguinte: Coaracy Nunes, 2.385 votos; Hildemar Maia, 44 votos; votos em branco, 115; votos nulos, 168. O candidato a suplente, Otto Prazeres, não foi votado.


A candidatura de Coaracy Nunes, definida em uma reunião realizada na residência do comerciante Manoel Eudóxio Pereira, o Pitaica, no inicio de outubro de 1946, e homologada pelo Diretório Regional do Partido Social Democrático, dia 12 do mesmo mês, à noite, na sede do Esporte Clube Macapá, edificada à Rua São José, Praça Capitão Assis de Vasconcelos. Na mesma ocasião foram registradas as candidaturas de Hildemar Maia e Otto Prazeres como suplentes. A 14 de janeiro de 1947, o Tribunal Regional Eleitoral, com sede no Rio de Janeiro, fazia publicar no Diário Oficial da Justiça, Seção II, a relação dos candidatos registrados que iriam concorrer as eleição de 19 de janeiro de 1947, figurando na mesma os nomes de Coaracy, Maia e Otto.


Desde o primeiro momento de sua vida parlamentar, Coaracy Nunes deixou evidente sua dedicação à causa dos humildes. Seu horizonte não se restringia apenas no Amapá. Solidário com os parlamentares da Região Norte, Coaracy Nunes encampava as reivindicações da bancada setentrional. Suas ações de altos interesses coletivos valeram-lhe o galardão de Deputado da Amazônia. A primeira grande luta de Coaracy Nunes, irmanado aos colegas nortistas, foi a criação da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, SPVEA, que depois evoluiu para Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia, SUDAM, hoje extinta. Integrou inúmeras comissões na Câmara Federal, inclusive a Comissão de Valorização da Amazônia.


Coaracy Nunes exerceu dois mandatos completos de Deputado Federal: 1947-1950 e 1951-1954. Caminhava para concluir o terceiro mandato quando a morte cortou-lhe os passos, a 21 de janeiro de 1958. Estava trilhando os caminhos de uma nova campanha e vivia o último ano do terceiro mandato. O ano de 1958 era de eleições e tudo indicava que ele obteria o quarto mandato. No decorrer de seus onze anos como parlamentar, Coaracy Nunes ganhou destaque a nível nacional. Foi um tenaz defensor da criação de uma siderúrgica para a Amazônia, como forma de aproveitar as reservas de ferro e de manganês do Amapá. Foi o autor do projeto que criou a Companhia de Eletricidade do Amapá - CEA e autorizou a construção da Hidrelétrica Coaracy Nunes. Sua presença em Macapá, seja acompanhando comitivas de políticos, quer em decorrência de recesso parlamentar ou para visita às bases eleitorais, sempre foi motivo de festas. E foi atendendo a um convite para participar dos festejos alusivos a São Sebastião, na vila Carmo do Macacoary, que o Dr. Coaracy Nunes encontrou a morte. Seu calendário de compromissos marcava, para o dia 21 de janeiro de 1958, uma viagem a Serra do Navio, onde manteria contatos com os dirigentes e empregados da Indústria e Comércio de Minérios S. A - ICOMI. No dia 19, lideres da comunidade promotora da festa formularam um convite a Coaracy Nunes e Maia. Como não havia estrada que ligasse Macapá a Carmo do Macacoary e a viagem fluvial era demorada, não haveria tempo para que o retorno a Macapá permitisse a ida do deputado e suplente a Serra do Navio.


Para não utilizar avião do governo, coisa que certamente renderia críticas por parte da oposição, Coaracy Nunes e Maia decidiram fretar o avião “Carioquinha”, que pertencia aos senhores Eugênio Gonçalves Machado, Carlos Andrade Pontes e Hamilton Henrique da Silva. O “Carioquinha” era um avião pequeno e leve. Dentre os dez vendidos para a Amazônia, oito já haviam sofrido graves acidentes. Era um aparelho apropriado para treinamento e viagens de curta distância. Hamilton Henrique da Silva era um piloto experiente, que tirou o brevê pelo Aéro Clube de Macapá, uma entidade idealizada pelo Dr. Hildemar Pimentel Maia. A relutância de Hamilton Silva em fazer a viagem foi imediata, visto que a região a que se destinavam, é sujeita a neblina e ventos fortes de inverno ao amanhecer.


O Sr. Cláudio Lima, funcionário do SERTTA–Navegação, ponderou que a viagem fosse realizada por via fluvial a bordo do Iate Itaguary, que levaria a rebote uma voadeira e um motor de pôpa de 33 HP. O Iate ficaria na foz do rio Macacoary e o deslocamento até o local da festa seria coberto na “voadeira”. Coaracy Nunes ficou indeciso e consultou o Dr. Maia, que se manifestou contra a idéia. Estes acertos aconteceram na sede do Partido Social Democrático, um velho casarão edificado na esquina das avenidas Cândido Mendes e Presidente Vargas. A residência do Hamilton Silva era um pouco mais à frente, na mesma avenida, diante da casa Leão do Norte, que pertencia a família Zagury. Na sede do PSD corria a notícia de que Hamilton Silva sairia para o Macacoary na tarde do dia 20 de janeiro, levando encomenda para a fazenda do pecuarista Eugênio Machado, seu sócio no avião. A pedido do Dr. Maia foram chamar o Hamilton. Depois de uma breve conversa, ficou acertado que o aparelho decolaria às 16h00min. No horário aprazado, o “Carioquinha”, prefixo CAP-9, deixou o campo de pouso da Cruzeiro do Sul rumo ao Macacoary. A bordo iam o piloto Hamilton Silva, o Sr. Eulálio Soares Nery, o dr. Coaracy e o Dr. Maia. Fora umas passageiras turbulências a viagem transcorreu sem problemas. À noite, após a ladainha, haveria festa dançante homenageando os ilustres visitantes, o que de fato aconteceu. Na manhã do dia 21 de janeiro deu-se a tragédia já narrada neste livro. Três vidas preciosas foram tragadas pelas chamas. O Amapá viveu momentos de profunda tristeza e desespero. A Câmara Federal perdia um dos seus mais brilhantes parlamentares, o Dr. Coaracy Nunes, nacionalmente conhecido como o “Deputado da Amazônia”.


Coaracy Nunes era casado com a senhora Carmem Rocha Nunes. Deixou como órfãos: Coaracy Nunes Filho (19 anos em 1958); Carmemcy (18 anos), casada com o Sr. Fernando Figueiredo; Cláudio (17 anos); Joaquim Ascendino Neto (16 anos); Yara (11 anos); Moema (8 anos) e Maria das Graças (2 anos). Coaracy era irmão do Coronel Janary Gentil Nunes, primeiro governador do Amapá, que à época da morte do ilustre parlamentar era o Presidente da Petrobrás. Além dele havia mais cinco irmãos: Pauxy Gentil Nunes, Secretário Geral do Governo do Amapá; Ubiracy Gentil Nunes, funcionário do Instituto dos Comerciários no Rio de Janeiro; Dr. Amaury Gentil Nunes, Chefe de Gabinete da Presidência da Petrobrás, Yacy Suarez e Miracy Gentil Nunes Raposo, casadas e residentes no Rio de Janeiro. Em 1957, entre os meses de fevereiro a dezembro, cursou a Escola Superior de Guerra. Para isso licenciou-se da Câmara Federal, sendo substituído pelo suplente Hildemar Pimentel Maia.


Depois de ser resgatado da fuselagem do avião, o corpo do Dr. Coaracy Nunes, reduzido a um pedaço de carne carbonizada com 60 centímetros, foi colocado em uma urna mortuária hermeticamente fechada. Na manhã do dia 22 de janeiro de 1958, duas urnas foram embarcadas no avião da Cruzeiro do Sul que se destinava ao Rio de Janeiro, com escala em Belém. Até a cidade de Belém, os amigos Maia e Coaracy permaneceram juntos. Na capital do Pará a urna com os despojos do Dr. Maia foi desembarcada. A urna do dr. Coaracy seguiu viagem e apenas à uma hora da madrugada do dia 23.01.1958 o avião da Cruzeiro do Sul pousou no Aeroporto Santos Dumont. A urna do dr. Coaracy Nunes seguiu para o Palácio Tiradentes, sendo velada até às 10 horas do dia 24. Falaram diversos oradores, entre eles o Ministro da Fazenda José Maria Alkmim. No Cemitério São João Batista, deputados e senadores se despediram do amigo. Os restos mortais do Dr. Coaracy foram inumados no túmulo n.º 3753 - A, Quadra 3. O Deputado Federal Lister Caldas, apresentou à Mesa da Câmara Federal, um projeto de lei que modificaria o nome do Território do Amapá, para Coaracy Nunes. Razões históricas impediram a aprovação do referido projeto.


Várias homenagens foram prestadas ao Dr. Coaracy Nunes. Em Belém, foi inaugurada uma praça, na cidade velha, a 21 de janeiro de 1959. Na mesma data, um busto foi inaugurado em frente ao abrigo de passageiros do aeroporto internacional de Macapá. Dia 7 de fevereiro de 1958, através de decreto, o Governador Amilcar Pereira da Silva criou o Grupo Escolar Coaracy Nunes, hoje Escola de 1º grau. A Prefeitura Municipal de Macapá trocou o nome da Avenida Ayres de Souza Chichorro para Coaracy Nunes. Em 1975, quando a Hidrelétrica do Paredão foi inaugurada, a Eletronorte a batizou de Usina Hidrelétrica Coaracy Nunes. (Baseado na pesquisa do professor Nilson Montoril de Araujo)

Um comentário:

  1. é maravilhosa a opurtunidade de saber um pouco da nossa hitória. Deveria ter nas escolas amapaense a abordagem desses fatos.

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