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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A Cabanagem em Macapá e Santana


No período de expansão dos conflitos provocados pela Cabanagem na região, o espaço amapaense se configurava principalmente como palcos de resistência a esse movimento social, considerado como um dos mais notáveis de nossa história, já que foi a única insurreição em que as camadas populares conseguiram ocupar o poder durante um espaço razoável de tempo.


Macapá, Mazagão e Santana, por terem sido núcleos de povoamento feitos através de colonos deslocados das possessões territoriais portuguesas na Africa, apresentavam oligarquias locais com forte lealdade ao Estado conservador remanescente da Coroa portuguesa que havia se instalado no país após 1822, com o processo de Independencia.


Essas oligarquias, que constituíam uma minoria privilegiada, passaram a mobilizar seus recursos e capital para o fortalecimento da resistência aos cabanos, impondo a esse movimento duras baixas, já que o mesmo procurava destruir as bases da dominação política e econômica desta elite regional. Dessa maneira, Macapá e Mazagão passaram par a a história como burgos que combateram os cabanos despossuídos em defesa da legalidade das classes hegemônicas do Império.

Nesse período, os franceses tentaram tirar proveito da situação de conflito e instabilidade na região instalando uma fortificação em um dos lagos do município de Amapá, e a partir daí passaram a dar apoio ao movimento cabano. As ações francesas no Amapá provocaram reações da Capital (Rio de Janeiro), sendo que, como forma de retaliação, a população começou a evitar a compra de produtos originários da França. Diante de tais pressões, o governo Frances retirou suas tropas do Amapá em 1841, tendo os dois países concordado em transformá-lo numa região contestada, passando a ser administrado por um representante do governo brasileiro e outro do governo frances. A desorganização política e econômica da área do Contestado o tornou palco de movimentos separatistas. Um deles foi a fracassada tentativa de independência, quando foi transformado em Republica do Cunani (1885-1887) através de um movimento licerado por um aventureiro frances conhecido como Jules Gross. Este ultimo fato intensificou as pretensões francesas na área.


O desrespeito ao acordo de neutralização por parte dos franceses, principalmente com a descoberta de ouro em Calçoene, motivou sérios conflitos no final do século XIX, estremecendo as relações diplomáticas entre Brasil e França. [1]

Notas históricas sobre a reação á Cabanagem

1823


15 de agosto de 1823 Os vereadores de Macapá e Mazagão fazem o juramento, em obediência ao novo regime do governo imperial do Brasil, após a Independência.


01 de abril de 1824 – A Junta Provisória envia circular ao governo da vila de Macapá, fornecendo instruções que deverão ser observadas no combate aos cabanos nessa região. Ver documento.


15 de maio de 1824 A Junta Provisória do Governo de Santarém envia instruções ao governador interino de Praça de Macapá, João Baptista da Silva, para serem observadas durante o combate aos cabanos em Macapá. Ver documento.


7 de janeiro de 1835 – Felix Antonio Clemente Malcher assume no Pará um governo revolucionário, e Bernardo Lobo de Sousa, presidente da Província, é assassinado. Começa o período cabano. Macapá e Mazagão rejeitam o novo governo. Alguns cabanos começam a se fixar no Amapá.


27 fevereiro de 1835 – O juiz de Direito e promotor público de Macapá decide apoiar a decisão da Câmara do Senado em resistir à Cabanagem que ocupou as cidades de Belém e Vigia.


19 de abril de 1835 – Reunidos, os vereadores de Macapá decidiram não aceitar a moeda de cobre criada pelos cabanos que governavam o Pará. Em vista disso, a guarnição da Fortaleza de Macapá não recebia seus saldos há sete meses. Preocupado, o capitão Joaquim Romão de Almeida levou o problema ao juiz de Direito Francisco Valente Barreto e ao promotor Estácio José Picanço. Ver 24 de abril de 1835.


22 de abril de 1835 – Uma comissão de cinco membros, escolhidos em sessão realizada nesse dia, apresenta à Câmara de Macapá o plano de defesa da vila contra os cabanos. O presidente da Província do Pará delega autoridade ao juiz de Direito Manoel Gonçalves Azevedo para presidir a comissão, que era composta por dois capitães (Joaquim Romão de Almeida e Francisco Valente Barreto), pelo promotor público Estácio José Picanço e mais outros dois, para organizarem o plano. A comissão consegue a nomeação do tenente-coronel Francisco de Siqueira Monterozzo Mello da Silveira Vasconcellos com comandante militar de Macapá.


18 de maio de 1835 - Chega à vila de Macapá o tenente-coronel Francisco de Siqueira Monterozzo Mello da Silveira Vasconcellos para comandar a Praça de Macapá. Ele passa a ter, a seu comando, um reforço de seis capitães, seis tenentes, seis alferes, um sargento-ajudante, um sargento-quartel-mestre, 103 sargentos, 205 cabos e 315 soldados.


27 de agosto de 1835 – Reúnem-se na Câmara de Macapá as autoridades civis, militares, eclesiásticas e a população em geral, para encontrarem estratégias de resistência aos cabanos que haviam conquistado Belém e Vigia.


05 de setembro de 1835 – O comandante militar de Macapá, Francisco de Siqueira Monterozzo Mello da Silveira Vasconcellos, envia circular às autoridades e fazendeiros macapaenses, dando instruções sobre o combate aos cabanos que já pensavam em tomar Macapá. Ver documento.


20 de dezembro de 1835 - Os cabanos que se refugiaram em Ilha de Santana são expulsos.


01 de janeiro de 1836 – O capitão Fernando Rodrigues, comandante da 1ª Cia. da Guarda Nacional, escreve a Jorge Rodrigues, dando notícias sobre a resistência imperial por ocasião da Independência do Brasil em Macapá. Ver documento.


02 de janeiro de 1836 – O comandante militar de Macapá, Francisco de Siqueira Monterozzo Mello da Silveira Vasconcellos, escreve ao governo provincial do Pará, relatando a oferta de várias embarcações de comerciantes de Macapá, para o combate aos cabanos.


12 de fevereiro de 1836 – Por ofício de nº 24, o comandante da Praça de Macapá, major Francisco de Siqueira Monterozzo Mello da Silveira Vasconcellos, relata ao presidente da Província do Pará, Jorge Rodrigues, que os norte-americanos estavam dispostos a trocar armamento com gêneros alimentícios.


28 de fevereiro de 1836 – Sai de Macapá uma expedição chefiada por Raimundo Joaquim Pantoja para atacar os cabanos de Breves. Ver 07 de março de 1836.


7 de março de 1836 Raimundo Joaquim Pantoja, partindo com o alferes Francisco Pereira de Brito e soldados da praça de Macapá, chega em Gurupá (no Pará), onde se encontram os cabanos.


8 de março de 1836 – Combate na foz do rio Caju-Una, entre cabanos e tropas legalistas, participando soldados macapaenses.


13 de março de 1836 – O major Francisco de Siqueira Monterozzo Mello da Silveira Vasconcellos recebe novamente o macapaense e capitão da Guarda Nacional Raimundo Joaquim Pantoja, que solicita mantimentos e armamentos para o combate aos cabanos nas ilhas vizinhas. Monterozzo Acode, prestando-lhe auxílio e providenciando armamentos.


15 de março de 1836 – O comandante da Praça de Macapá, major Francisco Monterozzo, comunica ao presidente da Província do Pará, Jorge Rodrigues, a presença do capataz Manoel Pedro dos Anjos, tenente-coronel comandante dos cabanos, entre as forças que estavam alojadas no litoral da ilha de Marajó. Refere-se ainda à vitória conseguida pelo capitão Pantoja e seu ajudante Francisco Pereira de Brito, contra os rebeldes localizados em Curuçá e Caju-Una.


17 de março de 1836 - Chegam à vila de Macapá as autoridades de Santarém que acaba de cair em mãos dos revolucionários cabanos, entre elas o juiz de Direito da Comarca de Tapajós, Joaquim Francisco de Souza. (Vidal Picanço, Estácio, Informações sobre História do Amapá, Pág. 85).


23 de março de 1836 – O major Francisco Monterozzo comunica, em ofício, ao presidente da Província do Pará, marechal Jorge Rodrigues, que os cabanos haviam se apossado das cidades de Gurupá e Santarém, chegando aqui na então vila de Macapá, as principais autoridades desses dois municípios paraenses.


15 de abril de 1836 – Sai de Macapá uma expedição comandada pelo alferes Brito, destinada a desalojar os cabanos do arquipélago do Bailique. Ver 17 de abril e 29 de maio de 1836.


17 de abril de 1836 - Pelo ofício nº 34, o major Francisco Monterozzo informa ao general Jorge Rodrigues que no dia 15 o capitão Raimundo Joaquim Pantoja autorizou o alferes Brito, com três oficiais e 50 guardas de Portel, a saírem de Macapá para a ilha de Gurupá, em duas embarcações, para defenderem a vila de Portel, que se achava ameaçada pelos cabanos do Tapajós.


28 de abril de 1836 – O alferes Brito derrota os cabanos da região de Bailique.


24 de maio de 1836 – O comandante militar de Macapá, major Francisco de Siqueira Monterozzo, escreve ao comandante da Província do Pará, informando do envio de documentos considerados suspeitos, aos cabanos da região. Ver documento.


05 de dezembro de 1836 Monterozzo escreve ao governador do Pará referindo-se a um episódio ocorrido em 20 de novembro do mesmo ano, em Ilha Vieirinha, perto de Macapá, onde sessenta soldados mataram 30 cabanos ali alojados, incendiando suas casas e apropriando-se de seus pertences. Ver documento.


9 de julho de 1839 – O comandante da Praça de Macapá, tenente-coronel Francisco de Siqueira Monterozzo Mello da Silveira Vasconcellos, é deposto do comando, sob suspeita de que ele favorecia aos cabanos. Ver 29 de julho de 1839.


29 de julho – O Visconde de Souza Franco, governador do Pará, escreve ao ministro da Guerra, conde Lajes, noticiando o conflito ocorrido em 8 de julho, em Macapá, que resultou na deposição do tenente-coronel Francisco de Siqueira Monterozzo, sob acusação de favorecer aos cabanos. Ver documento.


01 de março de 1840 – O governo da Província do Pará cria a Colônia

Militar Pedro II, situada à margem direita do Araguary. A partir desta data finda o periodo cabano em Macapá.


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